Tenho um filho de 16 anos que sofre de esquizofrenia, descobri faz 01 ano, nunca tive conhecimento sobre esta doença, estamos
tratando com psiquiatra e medicamentos mas gostaria de saber mais sobre a mesma; pois é dificil de lidar e aceitar uma doença
como esta. Gostaria de ouvir de outro profissional a respeito desta pois não consigo aceitar a não possibilidade de cura.  E acho
que o governo da pouca assistência aos doentes mentais, não dá sequer um programa de apoio aos familiares, a ensinar a
população a conviver com doentes mentais.  Hoje eu sinto a dificuldade de integrar meu filho na sociedade, pois a discriminação é
bárbara.  Quero me ajuntar as famílias que têm estes problemas para que eu possa dar um pouco da minha luta. Espero que me
mande respostas; preciso me integrar mais nesta luta.
Contando com a sua valiosa atenção, desde já agradeço de coração.

X

X: Seu depoimento é da maior importancia. Podemos, juntos, pensar e agir.
Em primeiro lugar, acho até arbitrário colocar estes fenômenos humanos na categoria de doença. Podem ser acontecimentos humanos que ainda não sabemos bem o que é e que historicamente ficou com  o nome de doença.
Depois, mesmo nos livros mais conservadores de psiquiatria, não se fala mais em ausência de cura. Sabemos que uma parte significativa de pessoas não mais apresenta sintomas após se recuperarem da primeira "crise".
Tratar "esquizofrenia" apenas com remédio, hoje, é muito pouco. O remédio é  necessário, mas existem outros recursos que se usa junto: abordagem familiar, terapia ocupacional, terapias grupais,oficinas terapêuticas, etc. Todas estas formas de tratar aumentam em muito o bom resultado e a qualidade de vida da pessoa tratada e da família.
V trata seu filho do serviço público? Em que cidade?
O setor público tem avancado muito nos ultimos anos nesta área, apesar de existir um disparidade muito grande de recursos de município para município. Existem municípios muito avançados e outros sem nada. Posso esclarecer mais coisas sobre isso, se v quiser.
Quanto a organzação de familiares, existem algumas no Brasil e é  uma das formas de fazer avançar tratamentos e recursos. Junte-se mesmo a outras pessoas na mesma situação, que tb posso ver o que posso te indicar.

Abraço
Julio



30/01/02
Boa tarde,

Antes de mais nada,achei o site muito interessante,e gostaria de parabenizá-los pelo trabalho. E gostaria que, se possível,me esclarecesse algumas dúvidas pois atualmente estou com um caso próximo de Psicose Maniaco Depressiva.
Esta moça tem 25 anos, é casada e tem filhos gêmeos de 3 anos. Como nunca havia estado próximo de uma pessoa com esta enfermidade, devo confessar que estou um pouco assustado com o quadro... e gostaria de saber mais sobre esta patologia.
Outra questão é: ela era usuária "social" (se é que este termo existe) de drogas (maconha e cocaína) em festas e finais de semana... gostaria de saber qual a influência disto numa pessoa portadora deste mal.

Desde já muito obrigado, e parabéns pelo trabalho.
M.
Resposta:
Antes de mais nada, M., esta pessoa precisa de atendimento especializado. E vejo como melhor, a psiquiatria, com a medicacação, e a psicoterapia, combinados. O que está te asssustando na situação? Os episódios de agitação e de depressão passam com relativa rapidez, com os medicamentos e apoio ambiental, junto da psicoterapia.
O uso de substancias psicoativas é complexo na situação. Muitas vezes as pessoas as usam como uma medicação, para alívio de ansiedade, agitação ou depressão. Mas sem dúvida que pode tornar a situação mais confusa.
Em tempo: não gosto de me referir a estes estados como "patologias" ou "mal". Prefiro chamar de fenomenos humanos que requerem atenção.
Abraço
Julio

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