From: X
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Friday, October 13, 2006 2:38 PM
Subject: saude mental de professores.


Boa tarde, meu nome é X, sou professora e atualmente estou na direção do Sindicato  yyy . Tenho desenvolvido o debate junto a categoria sobre Saúde do Trabalhador, na perspectiva do direito a um ambiente de trabalho saudável, através da melhoria das condições de trabalho.
Tenho me deparado com muitas queixas referentes a Saúde Mental dos profissionais em educação. Tenho contato com muitos profissionais que estão em sala de aula e suas condições de trabalho tem remetido a muito sofrimento psíquico: depressão, desânimo, insônia, frustrações relacionadas ao ambiente e às condições do trabalho na Educação Pública. A abordagem da Prefeitura (perícia médica e chefias) tende a não relacionar os problemas de saúde mental com as condições objetivas do trabalho que tem afastado muitos profissionais das salas de aula. Assim, o atendimento terapeutico não é suficiente, ampliando progressivamente o número de pessoas com problemas semelhantes em função das mesmas causas.
De que forma podemos intervir neste ciclo de adoecimento? A questão da saúde e condições de trabalho já é eixo de luta, questão central nas nossas reivindicações. Porém compreendemos que há toda uma política educacional nacional, que nossos problemas não sáo isolados dos problemas dos educadores de outros municípios, estados, que esta situação é fruto de uma política de sucateamento da Educação Pública.
Tem alguma indicação de bibliografia que trate da questão?
Desde já agradeço.~
X

From: "Julio Cesar Silveira Gomes Pinto" <saudemental@lagosnet.com.br>
To:
Subject: Re: saude mental de professores
Date: Fri, 13 Oct 2006 15:31:16 -0300


X: Costumo dizer "prazer em receber seu email", mas desta vez, pelo assunto, a sensação é de lamento. Esta situação que v descreve é generalizada. E, claro, o empregador nao quer admitir que o problema está na estrutura escolar. Acaba que um diagnóstico psiquiátrico lança a "culpa" na pessoa que sofre. A escola, hoje, recebe toda a carga do caos social em que vivemos.
Estou preparando uma palestra para uma Semana do trabalhador da área de Saúde, onde o problema é o mesmo. Recomendo o livro  "CAMPOS, Gastão Wagner de Souza. Um método para análise e co-gestão de coletivos. São Paulo: Hucitec, 2000", que, mesmo que fale mais da área de saúde, mostra como a gestão dos ambientes de trabalho podem adoecer ou promover a saúde. Veja tb algo sobre a síndrome "burnout", que sao manifestacoes de sofrimento mental devido a estresse abiental. Veja os anexos, sobre esses útimos pontos.
Abraço
Julio
ps: quando essa situacao de saude dos profissionais de educacao e de saúde se tornarão motivo de uma luta gerenalizada?
----- Original Message -----

From: X
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Friday, October 13, 2006 4:09 PM
Subject: Re: saude mental de professores

Muito obrigada pela resposta em tão breve espaço de tempo. Situação complexa que exigirá reação coletiva, e, na medida do espaço de intervenção sindical, estamos fazendo. Acredito na força da classe trabalhadora para reverter esta situação.
X

X: o livro que te indiquei trata da possibilidade de ação política nas instituicoes, educacao inclusive, no dia a dia, ao mesmo tempo em que as lutas mais gerais desenvolvem-se. Trabalho nessa linha: na perspectiva da micropolítica.
Abraco
Julio


----- Original Message -----
From:
To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Monday, September 25, 2006 11:53 AM
Subject: saúde mental PSF
>
> Caro dr. Julio Cesar
>
> Li em seu site o relatório final da Oficina de inclusão de ações de saúde mental no PSF,  e gostaria de saber o que já fIcou de fato oficializado
> pelo MS da liberação para os municípios para a contratação dessa equipe de  saúde mental. Agradeço por sua atenção.
> C

C: o Ministerio da Saude recomenda que a Saude Mental tenha ações junto ao PSF, mas ainda nao há incentivo financeiro. Muitos municipios tem
feito essa aproximacao por conta propria. Caso v queira, posso enviar em anexo uma monografia minha sobre o tema.
Abraço
Julio

----- Original Message -----
From: P
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Wednesday, September 13, 2006 3:16 PM
Subject: O que é saúde mental?

Olá Dr. Julio!
 
Encontrei seu site pelo google e dando uma lida nos debates achei muito interessante, assim como muitos já falaram, a forma como consegue esclarecer as dúvidas e principalmente sua atenção em cada caso.
Estava procurando referências sobre Saúde Mental, juntamente com uma Psicanalista, estamos inciando um projeto de um livro que fala sobre qualidade de vida do ponto de vista emocional. Estou procurando definições, assim, gostaria muito de saber como vc define a Saúde Mental, o que é ter uma saúde mental? O senhor poderia indicar bibliografias a respeito deste tema?
 
Desde já agradeço a atenção  
P

 Resposta:
P:
V faz a pergunta mais dificil. Talvez tao dificil de responder como a que fazem aos biólogos: "o que é a vida?
Já começa e dificuldade pq dentro da pergunta está uma outra, mais básica: "O que é saúde?" E existe mais uma preocupacao: o que é o "mental?" Herdamos essa divisao arbitrária mente/corpo, que contamina a pregunta e pode apontar algo da resposta: nao existe saúde mental sem saude global. Mas, o que é saúde? O que vi de interessante recentemente foi em "O normal e o patologico" de Georges Canguilhem, que diz que saúde é poder adoecer e tornar a "ficar bom". Seria poder ir ao limite do tolerável para a situacao e voltar. Isso nao responde  a sua pergunta, mas vale a indicacao. Diria, baseado nesse autor, que ter saude mental é poder lidar com o meio de forma criativa e normativa.
Abraco
Julio



----- Original Message -----
From:
Sent: Monday, August 02, 2004 4:3
Subject: Informação
>
> Prezados Srs.,
>                   fazemos parte do Conselho Municipal de Saúde de
>X, tivemos recentemente aprovado o plano municipal de Saúde
> Mental. Atualmente encontramo-nos com uma certa dificuldade para a
> implantação dos CAPS e do sistema porta de entrada 72 horas.
>                  Temos um bom ambulatório, porém, as oficinas terapêuticas
> ainda atuam na informalidade. Através do Ministério Público, conseguimos
> termo de ajuste de conduta(TAC), que está de certa forma contribuindo para
> precionar os gestores locais a respeito da política de Saúde Mental.
>                 Gostaríamos de obter as seguintes informações:
>
>   1. Como criar associação de familiares e usuários de Saúde Mental? Essa
> associação poderá ser uma ONG?
>   2. Como criar Comissões disciplinares em Saúde Mental?
>   3. Quais projetos poderemos desenvolver?
>   4. Como criar Sistema Porta de Entrada 72 horas, num Município pequeno
> cuje a rede hospitalar, infelizmente é toda privada?
>   5. Mais detalhes a respeito da oficina do SAMU, realizada 14 a 16 de
junho
> de 2004.
>
>   Obs.: Esse questionamento pode lhes parecer primário, mas é assim que
> funciona a política de Saúde em X. Contudo, manifestamos nossa
> posição, firme, pela Saúde Pùblica, gratuita e de qualidade. E
> principalmente dignidade aos usuários do sistema.
>
>
>    Atenciosamente,
>   =Y e Z

Resposta:
Y e Z:
A criacao de uma associação de familiares e usuários de Saúde Mental nao é
facil, tendo em vista que estamos em uma situacao social onde a luta por
direitos nao esta desenvolvida. O que se faz e convocar os usuarios,
familiares e interessados para reunioes nas quais é estimulada a criacao da
associacao. Quem tem experiencia nisso é a Iracema, da Associacao da Colonia
Juliano Moreira. Pode ser ONG.
Nao sei o que vs estao denominando de "Comissões disciplinares em Saúde
Mental".
Quanto a "porta de entrada". Nao ha emergencia publica em X? O que
fazemos em municipios que nao tem a  porta de entrada organizada é começar
por limitar a  realizacao dos Laudos para as AIHs aos psiquiatras do
programa de Saude Mental, que dao atendimento as emergencias psiquiatricas e
orientam os clinicos para as situacoes em que os psiquiatras nao estejam.
Por isso, o Programa  tem que ter um trabalho constante com a Emergencia . E
entrar em contato com os Hopsitais Psiquiatricos para acompanhar as
internacoes e depois conduzir os pacientes e as familias para tratamento.
Mesmo sem Caps, as oficinas terapeuticas podem ter bom resultado.
Como é o contato do Programa de Saude Mental com o PSF?
O que foi a oficina do SAMU?
Abraco
Julio

From: Y
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Tuesday, July 27, 2004 2:46 PM
Subject: Informação


Prezado Dr.,
                    gostaria de obter informações quanto a forma de implatação de programas municipais de saúde mental e  como os conselhos municipais de saúde possam cooperar com estas.

Atenciosamente,
Y
   
----- Original Message -----
From: Julio Cesar Silveira Gomes Pinto
Sent: Thursday, July 29, 2004 2:26 PM
Subject: Re: Informação

Y: A implantacao de um Programa Municipal de Saude Mental depende de muitos fatores, como a rede instalada, o tipo de atendimento que ja é feito, como e onde sao atendidas as emergencias psiquiatricas, quantos sao e o que fazem os profissionais de saude mental.
O Conselho Municipal de Saude pode ter participacao ativa no processo e implantacao e desenvolvimento do Programa de Saude Mental. Por ter representacao da sociedade, pode definir prioridades e acompanhar as acoes implantadas. Cabe ao Conselho aprovar novos procedimentos e credenciamentos de servicos e tambem informar a comunidade o que esta sendo feito. (e o que nao está...)
Pelo que sei, Y tem Programa de Saude Mental  organizado.
Abraco
Julio

----- Original Message -----
From: cccc
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Monday, June 28, 2004 2:27 PM
Subject: Interesse na Área da Saúde Mental

Boa Tarde!

Sou estudante do 4*ano de Psicologia e tenho muito interesse no assunto da Reforma Psiquiátrica. Gostaria de saber (se for possível claro) sobre a reforma psquiátrica na França e se foi neste país que isto começou.Caso não tenha sido,  qual país foi o pioneiro na Reforma Psiquiátrica? E como quero seguir minha carreira na Área da Saúde Mental, trabalhando em carreira em Caps, Cecco,e outros centros substitutivos, em qual país e cidade é mais recomendável?

Desculpe recorrer desta forma, mas estou fazendo uma pesquisa para assim que eu me formar ir para um país do exterior que seja "bom"nesta área e pioneiro da Reforma Psiquiátrica, para me aprofundar neste assunto e me especializar no mesmo.

Agradeço desde já,
cccc

Original Message -----
From: Julio Cesar Silveira Gomes Pinto
To:
Sent: Thursday, July 01, 2004 11:05 AM
Subject: Re: Interesse na Área da Saúde Mental

Resposta:
cccc: Se v for procurar pelo pioneirismo na reforma psiquiatrica vai ser interessante, mas podera se perder nas brumas. A Franca teve papel importante, mas na Italia as coisas se deram de modo mais agudo. Na Inglaterra ja havia o movimento das Comunidades Terapeuticas e tb Laing e Cooper. Na Franca ainda existe a Clinica La Borde, onde Guattari trabalhou. E nao se trata bem se saber quem comecou, mas onde esta bom  agora. So que o bom vai depender de seu gosto. Leia o que ha na literatura nacional  e estrangeira sobre o assunto e pe na estrada.
Aqui no Brasil , as coisas variam de acordo com o momento. Ora um CAPS vai bem , ora vai mal. Em que Estado v se encontra? No Rio tem coisa boa, em Sao Paulo tb, no Ceara tb.
Abraco
Julio

----- Original Message -----
From: vvv
To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Thursday, July 01, 2004 7:15 AM
Subject: informacoes sobre saude mental
> Prezados senhores !
>
> Eu estou fazendo meu trabalho de doutorado  sobre   a saude mental  no Brasil . Sera que os senhores poderiam me mandar material ou indicacoes bibliograficas  sobre  a estrutura do sistema  de assistencia do SUS para pessoas portadoras de psicoses?
 muito obrigada pela atencao dispensada

Resposta:
Ola
Ai vai:
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Relatório final da 2.a Conferência Nacional de
Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, 1994.

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Legislação em Saúde Mental 1990-2002. Brasília:
Ministério da Saúde, 2002.

RELATORIO SOBRE A SAUDE NO MUNDO. SAUDE MENTAL: NOVA CONCEPCAO, NOVA
ESPERANÇA. Brasília: Biblioteca OMS, 2001.

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Comissão Organizadora da
III Conferência Nacional de Saúde Mental. Brasília, 11 a 15 de dezembro de
2001. Brasília: Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, 2002.
Abraco
Julio

> ----- Original Message -----
> From: Luciane Cerdan Del Lama
> To: saudemental@lagosnet.com.br
> Sent: Monday, January 13, 2003 2:11 PM
> Subject: parabéns pelo trabalho.

> Oi, Dr Júlio. Primeiramente te escrevo para parabenizá-lo imensamente pelo seu site, gostei demais e fiquei impressionada com a clareza e a atenção do Sr com as pessoas que necessitam ajuda. Meus parabéns mesmo.
> Sou estudante de Psicologia, quarto ano, e estou há 1 ano trabalhando como estagiária e fazendo acompanhamento terapêutico nos pacientes de um Sanatório. Também faço parte da Diretoria Executiva da Associação "Loucos pela Liberdade", que não sei se o Sr já conhece, mas essa Associação nasceu da idéia de reunir trabalhadores da Saúde Mental, usuários, familiares e pessoas interessadas em participar da construção de uma nova cultura, na qual seja possível a afirmação de diferenças; nasceu a partir do movimento da luta antimanicomial e se fundamenta na necessidade de transformar a atual cultura psiquiátrica dominante, na qual, muitas vezes, "tratamento" é sinônimo de violência. A Associação "Loucos pela Liberdade" pretende contribuir na criação de condições concretas e possibilidades reais do resgate da cidadania de todos os seres humanos. Este projeto exige novas formas de pensar e olhar a loucura, a aproximação entre normais e anormais e a discussão dessa diferença. Mas ando angustiada pois toda vez que saio com eles, sinto que a sociedade assusta, e já faz alguns dias que estava querendo fazer uma pesquisa sobre o que as pessoas fariam para ajudar um paciente portador de distúrbio mental, como reagiriam frente a um usuário de algum serviço de Saúde Mental. E percebi no seu site o seu interesse com o "papel do Profissional de Saúde Mental na transformação da sociedade em suas ações profissionais e enquanto cidadão", achei muito correlacionado com o que havia pensado. E gostaria de saber do seu interesse em estar em contato comigo diante do meu interesse na pesquisa com entrevistas a sociedade. Pois faria esse trabalho sozinha e gostaria imensamente de um profissional da área em contato.
> Gostei muito do seu trabalho.
> Aguardo seu pronuncimento sobre o assunto.
> Atenciosamente.
> Luciane - Ribeirão Preto- SP

Resposta:
Luciane: Em primeiro lugar, obrigado.
>Tenho todo interesse em colaborar com a sua pesquisa.
> V diz que sai com usuarios e isso assusta a quem?
>E, veja, a luta pela aceitacao radical das diferencas e para decadas, talvez seculos. Digo isso para animar e ter paciencia. E estamos sempre avancando. E é mesmo no dia a dia que as coisas se decidem.
>Abraco
>Julio
>ps: posso colocar nosso dialogo na pagina?

Olá, Dr Júlio. É, as vezes quando saio com eles, exemplo da última vez, fui em um bar conhecido da cidade, fizemos happy hour, achei que não haveria problemas algum, e todos ficavam olhando demais, achando horrores porque eu havia levado em um lugar público, me senti muito mal... É percebo que a luta é de muitos anos e parece que as coisas não andam, mas tenho sim uma imensa paciência que nem sei de onde que vem tanta...
Vou fazer uma entrevista sobre a pesquisa que quero fazer e logo te encaminho para o Sr dar um respaldo a respeito, certo?
Pode se sentir a vontade de colocar o diálogo na página.
Um abraço. Luciane



Original Message -----
To: SaudeMental
Sent: Saturday, September 14, 2002 10:44 PM
Subject: Projeto de Macaé.

Olá Dr.júlio,
Como vão as coisas. Espero que tudo esteja no mínimo a contento. Estou escrevendo para comunicar que aqui em M. inciou-se um grupo tarefa para a implantação dos serviços substitutivos. Tenho uma amiga (psiquiatra) que vai ser nomeada, ao menos é o que tudo indica - coordenadora da área de assistência à saúde mental no município, coordenação que foi proposta recentemente no Fórum de luta do qual já lhe falei. Tomei a liberdade de imprimir os seus artigos sobre o projeto de Macaé, as reuniões e muitos outros mateirias que achei que seria um referencial importante para as pessoas que estão envolvidas nessa tarefa. Sei que deveria ter pedido permissão antes, mas meu horário anda complicado, de maneira que só hoje consegui escrever para o senhor. Fico preocupada de acontecer algum mal-estar, tenho imenso respeito pela produção intelectual das pessoas e de manira nenhuma estou me apropriando seu discurso. Muitos pontos do projeto de saúde emtnal de Macaé deram um norte ao inicio do projeto daqui, porque de inicio, estava todo mundo perdido, sem saber por onde começar.
Aguardo seu pronuncimento sobre o assunto.
Obrigada,
M.
Resposta:
M: Tudo o que esta na minha pagina pode e deve ser reproduzido a vontade. E devemos, aqui, todos, nos sentir muito bem com isso.
Ja respondi ao seu email a respeito da orientacao da monografia.
Se v quiser divulgar algum texto, pode mandar que coloco na pagina.
Abraco
Julio



To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Friday, May 31, 2002 12:00 AM
Subject: Plano Terapêutico
Boa Dr Júlio!
Eu sou psicóloga, morando em Criciúma/SC, mas atuando em Tubarão/SC num serviço serviço de saúde mental que já havia sido cadastrado como CAPS, mas que agora com a nova portaria do MS o  projeto precisa ser reformulado.
Para este novo projeto o MS solicita um plano terapêutico. Como não indica nenhum critérios estamos recorrendo a outros serviços solicitando auxílio na formulação do plano terapêutico. Quando me refiro a auxílio, estou me referindo a como construiram seu plano terapêutico.
O Sr conhece alguém que poderia nos auxiliar?
Já contactei o Ministério, mas até agora não rescebi resposta.
Agradeceria imensamente sua ajuda!
Abraços
Rosane
Resposta:
Rosane:
No meu municipio nao existe ainda um CAPS, por isso nao tenho aqui modelo de plano terapeutico.Mas , te digo que dele deve constar o plano de funcionamento do CAPS, com todo o fluxo de trabalho. Como e recebido o paciente, modo de selecionar, casos elegiveis. Cada etapa do tratamento e que tipo de profissional vai executa-la. E principalmente como vai ser elaborado o plano terapeutico para cada paciente e familia, mesmo que  esse plano va ser desenvolvido em grupos. Resumindo: tudo que o paciente recebe da instituicao e que profissional se encarrega das tarefas. Tarefas essas intra e extra muros.
Abraco
Julio


Sent: Sunday, April 28, 2002 2:41 AM
Subject: psicanálise-Esquizoanálise
 Olá Julio.
 Sou estudante de Psicologia, e gostaria de saber como receber  seu trabalho " Terapia grupal interdisciplinar de psicóticos"...
Não acredito no casamento da Psicanálise e da Esquizoanálise... Isso seria colocar em "contradição"  o "trabalho" de Nietzsche, Espinosa...  Esse trabalho esclarece a relação entre a psicanálise e a Esquizo?
 Grata pela atenção,
 Camila.

Ola Camila:
Sim, nosso trabalho faz a articulacao entre conceitos de psicanalise e filosofia, Nietzsche, Deleuze e Guattari. Muitas outras pessoas estao trabalhando nesse sentido. Nao ha contradicao. O que ha e que ou tiramos conceitos uteis da psicanalise, articulando-os com outros saberes ou a historia nao andara. O trabalho teorico e pratico é: o que da psicanalise podemos utilizar numa perspectiva dos presocraticos, Espinoza, Nietzsche, Deleuze? O que recusar? E que pratica saira disso?
Segue em anexo o trabalho e terei muito prazer em trocar comentarios com v .
Aguardo sua comunicacao.
Abraco
Julio
ps: o trabalho tb esta no link da pagina www.saudemental.med.br



Sent: Sunday, April 28, 2002 9:21 AM
Subject: informação
Tenho uma irmã que sofre há vinte anos de psicose epilética. Passou quase todo o tempo em hospitais, pois seu convívio social era impssível devido ao alto grau de agressividade e descontrole. Agora com o advento da Lei 10.216 surge uma nova proposta de tratamento, mas o município em que ela vive não dispõe de absolutamente nada que tenha relação com a nova legislação. Você agredita que uma pessoa com tal distúrbio, depois de vinte anos de internações, tem condições de viver novamente na sociedade, indo, uma vez ao mês, ao ambulatório para receber uma receita que quase sempre se repete?
De que valeu a tal reforma se há municípios carentes que não conseguem nem dar ao cidadão a atenção básica, como verificar a pressão arterial?
Resposta:
A sua irma precisara de um periodo de adaptacao ao ambiente fora dos hospitais psiquiatricos. E tb a familia precisa se reorganizar para recebe-la. Isso e trabalho para uma equipe interdisciplinar de saude mental. Quanto a nao ter em seu municipio o recurso necessario, veja bem a importncia da lei que v citou. O cidadao, voce, ja tem, agora, em que se amparar para exigir que o poder publico se organize para atender conforme a lei. Va a Secretaria Municipal de Saude e ao Conselho Municipal de Saude e, se nao for atendida, acione o Ministerio Publico para que se faca cumprir a lei. Os profissionais de saude mental estarao ao seu lado. Qual o seu municipio e estado?
Abraco
Julio


Sent: Saturday, March 16, 2002 9:04 PM

Dr.Júlio Cesar, meu nome é I. e acabo de me formar em Terapia Ocupacional. Estou pretendendo fazer especialização em Saúde Mental com o objetivo de trabalhar na prevenção, ou seja em atenção primária a saúde mental, mais especificamente com grupos de trabalhadores, visto que, as relações de trabalho atuais têm gerado transtornos mentais aos mesmos.
Apesar de ter me explicado de forma simples, gostaria que o Dr. me desse sua opinião a respeito do meu projeto de atuação e se este caminho é o mais indicado para a minha formação profissional.
Obrigada.
I:
Seu projeto é muito importante. A chamada Reforma Psiquiatrica esta precisando desse profissional que v quer ser. V tem acompanhado a entrada da Saude Mental no Programa de Saude da Familia? Onde vai fazer a especialização em Saúde Mental ?
Abraco
Julio



Assunto:  PSF em saúde mental
Data:  Sun, 17 Feb 2002 12:01:59 -0300
Olá Júlio, desde já parabéns pelo brilhantismo de sua imaginaçã o em socializar seu saber e tornar acessível as diferentes opiniões e reflexões-ações. Meu nome é J. sou estudante do último período de enfermagem da UFSC e realizei um trabalho de conclusão de curos com famílias dos sofredores mentais afastados do CAPS, bem como um trabalho de psiquiatria preventiva através da teoria da crise de Scóz e Caplan, associado a ótica da reforma de Basaglia,
Cooper, Amarante, Amaral, Nicolau, Pitta, Saraceno e vários outros. Presenciei inúmeras carências, as famílais estão desasistidas, recebem o sofredor mental com inúmeras carências, desde informação a auxílios financeiros sem contar
com um apoio reabilitador social. Esta é a realidade de nosso estado SC. O incrível é que não funciona o serviço primário de saúde, existe muito pouco ao estímulo as equipes de saúde mental na estratégia do prog.de saú.da família.  è necesário grande mobilização dos usuários, trabalhadores e associações de bairro, para com legisladores e executores para avançarmos
na RP. Os serviços substitutivos não oferecem grande intervenção em domicílioe o afastamento e internações aumentam. Desta forma, penso que deve-se investir em atividades desenvolvidas com os programas de saúde mental. Estou pensandoem realizar um dissertação sobre o papel do PSF em saúde mental, gostaria de solicitar sua opinião, tenho bastante material e como poderia ser meu instrumento de pesquisa, minha avaliação deste programa, é algo meio imaginário, irei defender meu TCC no dia 28, ficou um "muros nas mentes": obstáculo da reforma psiquiátrica, se vc quiser envio para o seu site, ficou interessante.
Faço em meu TCC um enfoque voltado também para a área do processo ensino aprendizagem dos bancos acadêmicos, pois há um descompromisso com a família do sofredor mental, seu estigma, sobre o que a comunidade pode oferecer para a reabilitação, sobre a formção dos conselhos comunitários e conselhos de atenção. Fica aí meu pedido de ajuda no tocante ao serviço primário de saúde mental, deve-se ter um trabalho articulado entre os seviços substitutivos e o PSF com o programa de saúde mental, o que não vemos em nosso estado.
Por favor me dê dicas apra colocar no papel este projeto de dissertação ou o que vc me sugere para pesquisa como contribuição a reforma e os protagonistas desta. Abraço
J.
J.:
Prazer em receber seu email. Muito interessante a sua visao. V pode, e sera muito util, na sua dissertacao, descrever a sua observacao da realidade, colocar os dados disponiveis , estatisticas, mais suas impressoes. Depois, as propostas da reforma e como estao ou nao sendo implantadas ai. Os problemas que traz nao estarem sendo implantadas. E, muito importante, o papel do enfermeiro nisso tudo ,mais as suas propostas.  Gostaria de colocar seu trabalho na minha pagina.
Esteja a vontade para novas perguntas e colocaoes.
Abraco
Julio


02/01/2002
Dr. Júlio,

Sou terapeuta ocupacional aqui de Curitiba, e trabalho na área de saúde mental desde que me formei em 1992.
Já trabalhei em hospital psiquiátrico (um horror) e em NAPS (durante 9 anos). Acho o trabalho de NAPS interessante, com resultados positivos.
Meu objetivo de lhe escrever, é esclarecer quanto ao serviço de HOME CARE nesta área.
Por que á tão raro?   Uma vez que este tipo de intervenção, pode explorar áreas não desenvolvidas em um tratamento em hospital-dia, por exemplo, aonde tenta-se dar uma atenção individualizada, mas que muitas vezes não ocorre (principalmente por poucos terapeutas ocupacionais contratados). Nossa área (TO), é muito abrangente, e acabamos por assumir coisas demais numa instituição, deixando a desejar, inclusive a própria qualidade do atendimento mais individualizado ao cliente, prevalecendo trabalho grupal e grupos operativos, que é interessante, mas em alguns momentos do tratamento, acredito não ser o que mais beneficia o paciente.
Aí então, acho que se encaixaria um tratamento de home care ou acompanhamento terapêutico, que poderia desenvolver outras habilidades e capacidades, inclusive de maior inserção social.
É do seu conhecimento alguma pós-graduação nesta área?

Agradecida por sua atenção,
A.

A.:  Este trabalho de cuidados em casa esta engatinhando. Trabalho com agentes comunitarios de saude ha seis anos e em 2001, em um dos municipios onde coordeno o programa de saude mental , coloquei uma TO para dar assistencia dentro da casa de uma familia,  num projeto de expansao do atendimento em casa. Esta dando bom resultado e pretendo ampliar isso em outro municipio. A entrada da saude mental no programa de saude da familia ja esta recomendado pela OMS e pelo Ministerio da Saude mas vejo que ainda nao e muito claro para a maioria dos profissionais e tb para as instituicoes de formacao. Cabe a v, ai, entrar nessa area. Veja, na secao de textos, as conclusoes de uma oficina no Ministerio da Saude a respeito de Saude Mental no PSF. Abraco
Julio
To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Friday, July 27, 2001 11:20 AM
Subject: Luta Antimanicomial
Olá!
 Meu nome é Karina, tenho 24 anos e moro em São Paulo, gostaria de saber
como faço para entrar no Movimento da Luta Antimanicomial. Acho um absurdo tudo que fazem com os pacientes.
 por favor me responda
obrigada
 karina
Resposta:
Ola Karina:
V pode entrar para o movimento antimanicomial de varias formas. Pode participar das transformacoes da assistencia em saude mental, como profissional, ou como cidada. Pode se ligar a grupos do movimento, divulgando e participando dos encontros e manifestacaoes. Ou o que mais v inventar, no sentido de mudar a realidade que ainda predomina.
Te mando emails para contato:
Secretaria Executiva Nacional Colegiada do Movimento da Luta Antimanicomial
1- antimanicomial@uol.com.br ou antimanicomial@ig.com.br
2- Laeuza Farias farias@sunnet.com.br
Qual a sua insercao no momento?
Abraco
Julio
 

To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Sunday, July 29, 2001 12:30 AM
Subject: Obrigada pela ajuda!
 Olá Julio!!

 Aqui é a Karina! Obrigada pela ajuda, eu já mandei um email dizendo que gostaria de fazer parte do movimento. Bom, eu não sou profissional da área, sou estudante da PUC, Letras Inglês e leciono a mesma há 4 anos. Bom, mas como cidadã pensante e indignada com certas coisas, tomei a liberdade de te mandar um email. Não sabia da verdadeira realidade destes manicômios(só ouvia falar), até que li o livro de Austregésilo Carrano, o qual me deixou totalmente comovida e indignada, pensei e tive certeza de que poderia fazer alguma coisa em relação a isso. Não sou rica nem influente, mas tenho muita
 vontade de ajudar e tenho certeza de que isso é o que importa. Cheguei a escrever um email para o site do livro de CARRANO, mas ainda não tive resposta (vc tem contato com ele?gostaria muito de conversar com ele).
 Espero poder entrar no movimento e ajudar de alguma forma.
 Muito Obrigada pela sua atenção!!
 Karina
Resposta:
Karina: Nao sei o email do autor que v cita. Qual e o livro? Coloquei o nosso dialogo na pagina de respostas. Se v permitir, deixo la seu email, para quem quiser se comunicar.
Abraco
Julio
 

To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Sunday, July 29, 2001 9:24 PM
Subject: Re: Obrigada pela ajuda!

 Olá Julio!!

 Bom, o livro do qual falei chama-se CANTO DOS MALDITOS (AustregésiloCarrano) e inspirou o filme de Lais Bodanski "BICHO DE SETE CABEÇAS", que vale a pena assistir!! Vc já viu?? Está em cartaz. Vc é de São PAULO??
 Trabalha em alguma instituição?? Vc pode dar o meu email sim, não tem problema. Vc disse que colocou a nossa conversa aonde?? Gostaria de ver!!
 Abraços
 Karina
Resposta:
Karina: Ainda nao vi o filme.
 Moro em Macae, litoral do Estado do Rio. Trabalho em consultorio e em Prefeituras, onde coordeno a Saude Mental de dois municipios. Nosso dialogo est.a na secao "Perguntas e respostas, area tecnica" ( www.saudemental.med.br )
Abraco



From: Vera
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Monday, June 18, 2001 3:00 PM
Subject: saúde mental-arte

Olá, meu nome é V ,formada em Artes Visuais-(pintura), atualmente cursando o último ano de Licenciatura em Artes Visuais, onde estou desenvolvento um projeto de pesquisa em Arte e Saúde mental, área em que venho atuando, voluntáriamente,há mais de 6 anos, como orientadora de oficinas de artes. Comungo dos mesmos ideais da Luta Antimanicomial e venho fazendo a minha contribuição neste sentido. A minha pesquisa será realizada num Caps (onde estou atuando).Esta mesma pesquisa de conclusão de curso será reelaborada para ingresso no mestrado em arte terapia no próximo ano. Pergunta: Como os profissionais clínicos estão vendo a contribuição da arte neste contexto?
Em tempo, peço sugestões de bibliografias. Um abraço.
Resposta:
Vera: Prazer em receber seu email.
Gostaria de ter noticias do desenvolvimento do seu trabalho. Em que cidade é realizado?
Vou responder a sua pergunta nao como psiquiatra clinico, pois tenho formacao em psicanalise e uma visao critica da psiquiatria. Considero a arte como uma parte integrante e fundamental de qualquer abordagem em saude mental. Nao apenas um acessorio , como pensam alguns mais ortodoxos, ainda. V poderia comparar essas diferentes formas de ver. Trabalho em coterapia com musicoterapeuta e com Terapeuta Ocupacional e vejo os resultados.
Quanto a bibliografia, v deve ja ter visto Jung e Nise da Silveira, sem nao é possivel. Na parte inicial da Historia da Loucura, do Foucault, v encontra uma analise da mudanca na representacao da loucura na pintura e na literatura. Muita coisa na obra de Deleuze tem a ver com as relacoes entre loucura e arte, recorrendo a Artaud e outros.
Abraco
Julio
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 Original Message -----
From: A
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Friday, June 08, 2001 4:07 PM
Subject: Participação Comunitária e Cidadania

Caro Júlio:
Sou uma aluna do 2º ano de Desenvolvimento Comunitário e Saúde Mental do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada) em Lisboa, Portugal. Fiz um estágio numa AEIPS (Associação para o estudo e integração psicossocial) e resultante desse estágio estou a fazer um trabalho relacionado com o que vi e aprendi. Acontece que dentro desse trabalho tenho de desenvolver os conceitos de Empowerment, Participação Comunitária e Cidadania. O conceito Empowerment é relativamente fácil de encontrar mas os de Participação Comunitária e de Cidadania é que já não. Gostava de aprofundar os meus conhecimentos sobre tais conceitos, quem os inventou, desenvolveu etc., quais são as várias interpretações e aplicações. Para tal gostaria, se lhe fosse possível, que me indicasse os sites mais especializados no assunto e/ou, se não fosse pedir muito me explicasse tais conceitos.
Desde já muito agradecida:
A
Resposta:
A: Muito prazer em receber seu email.
Os conceitos de cidadania e participacao comunitaria sao mesmo muito importantes em Saude Mental. Por cidadania, entendo a consciencia do cidadao e dos grupos humanos em relacao a seus direitos e deveres em relacao ao coletivo. Seja esse coletivo a comunidade ao redor, a chamada "sociedade", ao poder publico, o Estado.Ter a posse da propria cidadania representa poder ter os direitos inerentes ao cidadao: direito de ter moradia, alimento, servicos de saude, educacao, transporte. Direito ao trabalho. Direito de reuniao , de expressao politica, de escolher seus dirigentes. Direito a tudo o que consta das declaracoes mundiais de direitos humanos e da Constituicao do pais. E deveres: de zelar pela comunidade, de respeitar o proximo, de contribuir para o bem comum, de dar sua parcela de trabalho ou impostos para a organizacao  da "polis". Em saude mental, o desenvolvimento da cidadania e fundamental tanto para a recuperacao psiquica de quem ja sofre quanto para a promocao da saude de todos.
A participacao comunitaria corre paralela com a ideia de cidadania. Se nao ha nocao de cidadania, a participacao comunitaria e minima ou nenhuma. Ou se resume ao ritual quase esteril de votar de tanto em tanto tempo. A incorporacao da nocao de cidadania leva a participacao comunitaria em seus diversos niveis: da familia, do bairro, da cidade, dos grupos profissionias, dos partidos, das ongs, do pais e do mundo. E tambem dos movimentos autonomos. O isolamento social e a anomia sao fatores determinantes do sofrimento mental. A participacao comunitaria, ao lado de fazer reverter fatores de sofrimento, e basica em qualquer modo sadio de sociedade.
Aos profissionais de saude cabe articular dispositivos que proporcionem o aparecimento da nocao de cidadania e o desenvolvimento da  participacao comunitaria nos varios niveis.
Quanto a bibliografia, v pode ver toda a corrente de transformacao institucional, o movimento grupalista e , atualmente, a experiencia italiana.
Abraco
Julio



CARO JULIO,
COMO VAI ? SOU PSICÓLOGA E VOLUNTÁRIA DA ASS. TAMTAM AQUI NA CIDADE DE SANTOS.
FAZENDO PESQUISAS E CONTATOS, NA TENTATIVA DE CADA VEZ MAIS VIABILIZAR NOSSO TRABALHO AQUI NA CIDADE, QUE HOJE SOFRE A FALTA DE UM ESPAÇO (SEDE) PARA CONTINUAR SUAS ATIVIDADES, ACABEI ENTRANDO EM SUA PÁGINA E GOSTEI MUITO DA FORMA COMO TODOS SE COMUNICAM E DE SEU POSICIONAMENTO NAS QUESTÕES LIGADAS À DESINSTITUCIONALIZAÇÃO E LUTA ANTIMANICOMIAL !!!
APROVEITO ENTÃO, PARA ENVIAR-TE NOSSO CONTATO, DA ASSOCIAÇÃO E DO PROF RENATO DI RENZO QUE FOI O CRIADOR DESSE TRABALHO TÃO ESPECIAL E "FORA" DOS MUROS E FRONTEIRAS !
APROVEITO TAMBÉM PARA FAZER UM "PRÉ-CONVITE" PARA UM FINAL DE SEMANA QUE REALIZAREMOS COM UMA SÉRIE DE EVENTOS - FILMES, TEATRO, EXPOSIÇÕES, DEBATES, RELATOS DE EXPERIÊNCIAS..., EM VIRTUDE DA SEMANA DA LUTA ANTIMANICOMIAL. SERÁ "A CIDADE ESSENCIAL...", MAS NÃO POSSO AINDA ENVIAR-TE A PROGRAMAÇÃO DEFINIDA POR ESTARMOS FECHANDO AS PARTICIPAÇÕES, QUE SERÃO VOLUNTÁRIAS PELO EVENTO NÃO TER UM FIM LUCRATIVO, MAS SIM DE REFLEXÃO ...
ESPERAMOS CONTAR COM SEU APOIO E PRESENÇA , CASO QUEIRA PARTICIPAR E ESTAR AO LADO NESTA "JORNADA" DE SAÚDE, VIDA E FELIZ CIDADE, ALÉM DA DIVULGAÇÃO A TODOS QUE ACHE INTERESSANTE !!
AGUARDAMOS AINDA MUITAS TROCAS, COMO DIZ DI RENZO : "NA GRANDE SAÚDE DA NOSSA ETERNA LOUCURA!"
UM ABRAÇO, CLAUDIA


From: "M
Date: Sat, 14 Apr 2001 00:15:30 -0300
Caro Dr.Júlio
Fiquei super agradecida pela sua atencao no envio do material sobre saúde mental que me será de grande importancia. Gostaria de aproveitar dos seus conhecimentos e da sua boa vontade em democratizar o seu saber, preciso saber se a atuacao que nas literaturas que pesquisei encontrei pouco, se, saúde mental tem de estar obrigatoriamente ligado ao doente mental ou se falando da parte preventiva se, posso junto a equipe multiprofissional atuar na promocao da saúde mental. Cito como exemplo, participacao de caminhadas, estímulo da comunidade a participacao de atividades de lazer, relaxamento, esporte, movimentos de saúde, etc, preciso saber se isto efetivamente constituem fatores de promocao a saude mental e, quero saber da sua opiniao pessoal se o doente mental pode ser considerado tendo uma assistencia efetiva sem trabalhar conjuntamente a família.
Além de fazer faculdade de Enfermagem, sou técnica de enfermagem em um hospital psiquiátrico da rede pública, que é considerado um bom hospital ( sou de SP) e amargo as constantes internacoes e vejo claramente o quanto a internacao é improdutiva, o papel do enfermeiro lá é mediocre como também o do psiquiatra que nao vejo fazer outra coisa se nao prescrever acredito que a capacidade e a area de atuacao esta muito além, por esta razao sou a favor da luta anti-manicomial, de-me seu parecer a respeito.
Aguardo resposta sua e agradeco demais a sua gentileza, profissional quando é apaixonado pelo que faz é assim, tem muito pra contribuir, tem vida, acredito ser este o seu caso.
Um grande abraco
M
Resposta:
Miriam: Ok. Vamos lá.
Qualquer atividade na comunidade que aumente a saude em  geral, a capacidade de relacionamento, de acao no mundo, de prazer, de cultura,etc... é atividade de promocao de saude mental e deve ser estimulada pelos profissionais de saude.
Considero muito util colocar pessoas que sao atendidas em saude mental junto com outras que nao sao, nas atividades. Assim sera qustionado mais profundamente o conceito de "doenca mental". V ja parou para pensar ou mesmo estudar a origem desse conceito? Acho que devemos, na pratica das intervencoes, questionar o conceito de doença mental, ver muito bem como e onde aparece uma pessoa chamada assim. Deste modo, estou te respondendo que é bom ver a familia como parte do problema e a sociedade em volta tambem.
Se o hospital em que v trabalha é considerado bom, imagina os que nao sao. Um bom hospital psiquiatrico é igual ao círculo quadrado: pode tentar tentar pra ver se v consegue...
V pergunta: Como atuar na saúde mental em meio as desigualdades sociais, ela nao seria um fator determinante? Respondo com um "sim" a segunda parte da pergunta. E , quanto à  primeira, penso assim: o profissional de saude, ou tambem é um trabalhador do social, tentando mudanças, ou está acumpliciado com a ordem vigente.
Abraco
Julio
ps: na secao de textos e noticias existe um bom trabalho sobre o novo papel da enfermagem em Saude Mental.


Olá Júlio,
Como vc vai? tudo bem? espero que sim.
faz tanto tempo que não nos falamos que nem sei ao certo se vc ainda lembra de mim :) O fato é que, ao terminar minha dissertação de mestrado, vc foi uma das pessoas com quem tive vontade de partilhar, afinal vc publicou parte dela na sua home page. Bom, o fato é que felizmente eu consegui concluí-la e agora estou enviando para vc na íntegra. Vc vai perceber que mudou muito desde o projeto que lhe enviei.
O segundo assunto desse e-mail é um pedido de ajuda. No momento, estou como professora substituta da U. (curso de enfermagem) e estou tento um problema. Apesar de todas as professoras da disciplina que estou lecionando (saude mental) terem uma visão abrngente da saúde mental, dentor das propostas da reforma psiquiátrica, continuamos trabalhando com os alunos utilizando textos extremamente voltados para os aspectos biológicos de loucura. (a principal bibliografia utilizada é o Kaplan e um compêndio de enfermagem psiquiátrica). Sinceramente, não me sinto bem transmitindo para os alunos um conhecimento limitado por uma visão que tem sido hegemônica na área da saúde. Principalmente depois de estudar a esquizoanálise. Hoje, estou preparando uma aula sobre distúrbios de ansiedade e ainda não encontrei nenhum material que pudesse ajudar. Será que vc poderia me sugerir alguma coisa? no seu livro posso encontrar algo relacionado ? em caso afirmativo, como posso adquirí-lo? na net vc conhece páginas que tenham textos disponíveis? foi um prazer falar com vc novamente, conto com sua valiosa ajuda.
beijos
X.
Resposta:
X.: Bom que v escreveu. Parabens pela dissertacao. Te peço para mandar de novo, para o endereco  juces@lagosnet.com.br
( Problemas tecnicos...)
 O que v pode trabalhar com seus alunos é a origem psiquica da ansiedade, que é a maioria, diferenciando das causas organicas de ansiedade ( estas ultimas tem no Kaplan ). O que tem no meu livro e um resumo da teoria psicanalitica e um esquema de explicacao do sintoma neurotico, dentre eles, o mais comum, a ansiedade. V pode comprar o livro diretamente comigo, chega ai por sedex.
Mande a tese, que terei muito prazer em ler.
Estamos numa epoca muito boa para fazer avancar as propostas da chamada reforma psiquiatrica. O ministerio da saude esta com boas acoes e a lei que muda a orientacao da saude mental no Brasil foi aprovada.
Um grande abraco
Julio


Data:
Wed, 11 Apr 2001 22:28:45 -0300
Sou aluna do curso de Enfermagem e, estou pesquisando para um trabalho acadêmico sobre SAÚDE MENTAL, gostaria de saber especificamente o que pode ser trabalhado com a populacao em unidades básicas de saúde, desde já agradecao a atencao dispensada.
Atenciosamente
M
Resposta:
M A sua pergunta diz respeito a meu campo preferido de trabalho. Inclusive na HP existe uma noticia sobre recente decisao do Ministerio da Saude a respeito da inclusao da Saude mental nas acoes basicas. Te mando em anexo um trabalho meu. Pergunte mais e , se v  quiser, gostaria de ler seu trabalho e de coloca-lo na HP.
 Em tempo: v pergunta o que trabalhar com a populacao. E isso, na enfermagem ,e muito importante. Nos trabalhos tradicionais, dentro da logica manicomial, a enfermagem tem o triste papel de vigilancia. Na nova forma de trabalho, todos os profissionais tornam-se promotores de saude mental e ai, a enfermagem pode ter um grande papel na comunidade, que , por exemplo, pode ser de realizar diverso tipos de grupo( adolescentes, alcoolismo, familias ) , visitas domiciliares e articulacao comunitaria.
Julio

Assunto:
         Dúvidas
   Data:
         Wed, 31 Jan 2001 18:02:03 -0200
Dr. Júlio César,
Sou professora  da área de estatística e estou trabalhando junto ao Departamento de Psicologia Experimental e do Trabalho da UNESP de
Assis. Atualmente, pretendo iniciar um projeto de pesquisa que visa efetuar um levantamento estatístico para avaliar a eficiência do tratamento
dispensado pelos NAPS da cidade de São Paulo, quanto à reinserção social dos usuários (e ou clientes).
No entanto a primeira dúvida que me está preocupando, no momento, é a diferenciação entre CAPS, NAPS, Hospital-Dia e outros serviços
alternativos, do gênero, caso existam, bem como as caracterizações oficiais dos mesmos, como serviços públicos de saúde, nas diferentes
regiões do país.
Quando elaborei o projeto, tinha conhecimento do funcionamento de um NAPS da cidade de Curitiba cujo funcionamento tive a oportunidade
de acompanhar durante cinco meses.
Inicialmente, pensei em trabalhar na cidade de São Paulo, dado que a mesma poderia fornecer uma base de dados estatisticamente significativa.
Quando fui tentar descobrir quais são os NAPS de São Paulo me deparei com a existência de NAPS e CAPS.
Portanto, antes de prosseguir meu intento, preciso revisar meu projeto em relação a vários aspectos, dentre os quais, a definição dos diferentes
serviços desse gênero se torna imprescindível.
Através de uma mestranda da área de Comunicação Social, tomei conhecimento deste eficiente serviço de informação e debate sobre o tema
saúde mental que você está colocando à disposição de leigos e especialistas, e assim sendo, solicito num primeiro momento sua atenção para
esclarecer-me quanto a questão "da definição e caracterização de NAPS, CAPS, Hospital-Dia e outros serviços do gênero que possam existir".
Outrossim, gostaria de encomendar sua obra: Temas de Saúde Mental, sendo que amanhã providenciarei o depósito em conta corrente.
Aguardando sua resposta, agradeço antecipadamente,
Barbara

Resposta:

Barbara: Muito prazer em receber seu email.
A diferenca entre CAPS e NAPS ficou sem importancia, agora. Quando o Ministerio da Saude definiu estes servicos, Naps era uma estrutura maior. Mas agora isso nao tem  mais sentido. Hospital dia  e um nome historico, quando surgiram as primeiras propostas do que se chamavam "internacoes parciais". Como todos estes termos sao muito medicos, e o que queremos agora e descaracterizar as abordagens como sendo apenas medicas, passando para psicossocial,  nao faz mais sentido falar em hospital dia.
E muito importante investigar com pesquisas o poder de resolucao dos Caps, as respostas de quem usa, o movimento que provoca, ou nao nas comunidades. Gostaria muito de ler o que v vai escrever.
Para que v saiba quanto e que v tem que depositar, preciso saber  em que cidade v mora, para calcular o preco do sedex.
Abraco
Julio



 

Meios utilizados pela escola para melhorar a saúde mental
      11 Oct 2000 21:04:35 -0300

Olá, meu nome é P , estou cursando o segundo ano de Pedagogia, e preciso  montar um projeto de pesquisa com o tema Meios utilizados pela escola para  melhorar a saúde mental. Ficaria agradecida se pudessem me ajudar. Obrigado.

Resposta:
P.: Prazer em receber seu email.
Sou suspeito para comentar a respeito de escola, pois tenho aversão ao tipo de coisa dominante entre nós. Poucas são as propostas de ensino que não sejam alienantes, entediantes, repressoras. Do modo como está, a escola faz parte da maquinaria repressiva. Desconsidera diferenças, obrigando a todos a um mesmo currículo, estimula a competição e não a cooperação, massacra a curiosidade, impõe programas que de nada servem aos alunos. Minha proposta é a autogestão pedagógica. Pode-se dizer: utopia! Concordo. Precisamos de utopias. Então, a escola atual não estimula a saúde mental, pelo contrário. O que a escola poderia fazer seria partir para um ensino que fosse autogerido e autogestado. V deve conhecer Neil, o inglês de Summerhill. E lembro do filme do Pink Floyd , The Wall: "teachers: leave the kids alone!".
V pode montar um projeto de pesquisa que tenha entrevistas com alunos, de diversas séries, para ver o que sentem em relação à escola. Com professores tb e com os pais.
Abraco
Julio



 14 Sep 2000 22:13:48 -0300

Olá, meu nome é Aline, estou cursando o 4o ano de Psicologia, e me interesso muito por essa área. Estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso cujo o assunto é: Luta antimanicomial com a solução de Hospital-Dia.Gostaria muito de sua ajuda, me indicando bibliografias, endereços etc. Sem mais para o momento. Agradeço a atenção.

Resposta:
Aline: Prazer em receber seu email e saber do titulo da sua monografia.Acho que v já viu na minha página ( seções de textos e de respostas ) muita coisa a respeito. Tem projeto de CAPS, discussão sobre o seu funcionamento, etc. Tem tb portarias do Ministério da Saúde sobre o assunto. No meu livro tb tem muita coisa desta história da luta contra os hospícios e suas alternativas.
No mais, te indico a obra de Franco Basaglia e a de Laing e Cooper, deste ultimo, um clássico inevitavel: Psiquiatria e Antipsiquiatria. De coisa nova, temos, alem do meu livro, "O Campo da Atencao Psicossocial",  varios autores, Editora Te Cora.
Se v puder, me mande seu trabalho para constar da página.
Abraço
Julio



            Mon, 04 Sep 2000 14:55:49 -0300
L.
> Olá,Meu nome é L. e sou estudante do 4.ano de Ciências Sociais.Primeiramente, gostaria de parabenizar a página que já me ajudou. Estou concluindo o curso e para tal estou fazendo o trabalho de conclusão de curso (TCC), que tem como Título: O preconceito na ressocialização do doente mental. Estou fazendo um estudo de caso, tendo como referência um Hospital-Dia da cidade de Indaiatuba - SP. Pretendo analizar o tratamento aplicado aos pacientes e como trabalham a questão da ressocialização. para depois estudar como a sociedade recebe um ex paciente psiquiatrico (como uma sociedade pode deixar uma  pessoa com transtornos mentais e não aceitá-la depois de um  tratamento). Gostaria portanto que me indicassem livros, por enquanto estou estudando Roger Bastide e Alfredo Moffatt.Desde já
agradeço, L.

Resposta:
L.: Prazer em receber seu email. Vai para a página, ok?
Os autores que v cita são muito importantes, mas quero te indicar dois: um, histórico, Michel Foucault, com "A História da Loucura". Sem este, não andamos no assunto.
Outro, atual e prático: Benedeto Saraceno, com " A Reabilitacao Psicossocial" , Editora Te Cora.
Gostaria muito de ler seu trabalho e , se possivel, coloca-lo na página.

Abraco
Julio



01 Sep 2000 17:01:47 -0300
      Olá, Júlio
 Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo e estou no último ano da UBC-SP, e tenho q preparar o Trabalho Final de Graduação. Não sei de onde nasceu a paixão por querer fazer um "Hospital Psiquiátrico Inovador", para haver mudanças no quadro clínicos de seus pacientes, e q a Arquitetura tivesse um grande papel nessa iniciativa. Comecei a pesquisar e verifiquei q já existem outras formas, sem ser a Clausura de um Hospital Psiquiátrico.

 Meu orientador pareceu não ter gostado muito do tema, ou por insegurança da parte dele, por não poder ajudar no meu trabalho, ou por jogar a culpa no meu trabalho q seria pobre em urbanismo.

 Poxa, e está dando uma canseira mesmo, mas eu não vou desistir. Precisaria saber a conceituação do meu tema e onde iria implantá-lo em São Paulo. Um Centro de Atenção Psicossocial seria de bom tamanho? Onde? Em áreas residênciais, ou de fácil acesso, c/o nas proximidades do metrô? Estou perdida pois ainda terei q levantar dados e nºs. de Centros q atuam nessa
 área. Gostaria de saber ser existe um lugar específico p/ implantação de um Novo Programa de Saúde Mental. O q puder me passar de referências, eu agradeço desde já.
 Um abraço,
L.

Resposta:
L.:  Muito bom que mais uma pessoa da Arquitetura coloque o tema Saude Mental/Arquitetura. Acho que v viu na seção Perguntas e Respostas o meu diálogo com duas arquitetas a respeito.
Veja: acho que o seu professor atirou no que viu e acertou no que nao viu. Nao sei dos motivos dele, mas não devemos mesmo perder tempo com novos modelos de hospital psiquiátrico, porque um bom hospital psiquiátrico é como a célebre
fórmula do círculo quadrado: pode tentar pra ver se consegue... O que devemos e pensar em dispositvos de saude mental que leve-nos a cada vez mais não precisar de internação psiquiátrica. E os CAPS estão aí para serem desenvolvidos. Sobretudo
nas sua arquitetura, pois não existe nada definido a maioria dos CAPS funciona em locais improvisados. Os CAPS devem ser mesmo em locais de fácil acesso, no meio do movimento comum dos bairros. E devem ser externamente como uma casa
qualquer. Dentro, penso em espaços amplos, para trabalhos grupais, para encontros de grupos. Nada parecido com unidades de saúde e sim um lugar para fazer coisas em grupos entre 10 e 30 pessoas.
Quanto a Programas de Saude Mental, felizmente em todo o país existem muitos funcionando. Em Sao Paulo tem, em Santos é histórico. Muita coisa para ver.
Abraco
Julio



            Re: esquizofrenia

            Sun, 11 Jun 2000 23:07:21 -0300
      From:
            Julio Cesar Silveira Gomes Pinto <saudemental@lagosnet.com.br>

 A  wrote:
> Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ e estou fazendo um projeto
> de um Centro de Reabilitação Psíquica . Preciso saber mais a respeito da
> esquizofrenia. Obrigada. A
Resp:
A.: Gostaria muito de trocar ideias com v. Estou implantando um Centro que deve ser parecido com o seu e tb estamos discutindo a planta e o ambiente. Mas, v me pede uma definicao que segue conceitos que podem nao ajudar muito. Tenho
outra hp   www.lagosnet.com.br/clientes/juces/    onde, na secao de perguntas e respostas, v pode ler sobre esquizofrenia. Porem, o que acho mais importante e a historia dos locais onde as pessoas com diagnosticos psiquiatricos foram
sendo colocadas ao longo do tempo. E em que espaco estamos nos propondo a coloca-los agora, e com qual intencao.
Escreva.
abraco
Julio
Cont:
: esquizofrenia
        Tue, 13 Jun 2000 19:33:00 EST

Júlio,
Fiquei super-feliz com a sua resposta. É exatamente o que você falou. Já consegui algumas coisas sobre a esquizofrenia e realmente muitos termos técnicos não me permitiram entender muitas coisas. Mas o básico que eu pude captar é que a esquizofrenia possui causas sociais e orgânicas. O que estou propondo para o meu trabalho final de graduação é um centro de reabilitação psíquica com base nas terapias ocupacionais. Então tudo aquilo que você falou sobre o histórico dos centros psiquiátricos me interessa muito, pois estou buscando criar um espaço como ponto de apoio para essas pessoas. Se, de repente, você puder me indicar alguma bibliografia a respeito desta questão histórica, vai me ajudar muito.
Já estive visitando o Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro.
Também estive na Casa das Palmeiras, em Botafogo. Estou estudando o trabalho da Dra. Nise da Silveira e visitando alguns terrenos em Santa Teresa para a implantação do programa. Estou aguardando a sua resposta. Obrigada. Abraço.
A.



Subject:
           Projeto sobre Saúde Mental
       Date:
            Thu, 11 May 2000 08:34:19 -0300
     Gis.:  Olá!!!Sou uma estudante de psicologia e estou fazendo um projeto bem elaborado sobre saúde e mídia dando enfoque a saúde mental. Este projeto tem por destino, caso der tudo certo, a uma apresentação em SP no mês de outubro.Caso não fosse muito incômodo gostaria de lhe pedir alguma idéia, fonte, sugestão ou qualquer tipo de ajuda sobre este tema!Sua página é muito interessante e por isso venho a lhe pedir tal  colaboração.
Desde já agradeço a atenção
Gis e Bia
Resposta:
Gise Bia
O tema é muito interessante, mas a pergunta por demais ampla. Vs tem muita coisa para ver, desde a psicologia do internauta , vantagens e desvantagens da vida online, os vícios , as facilidades, os chats, o sexo virtual, as novas formas de relação que se formam. As novas formas de aprendizado, a revolução no Ensino.  Vs podem perguntar algo mais específico?
Abraço  Julio


            Re: Perguntas,Respostas, Debates
       Date:
            Sun, 30 Apr 2000 20:57:16 -0300
      L. C. :
> Sou estudante de arquitetura e urbanismo , estou no último ano, e realizando um projeto para um Centro de Saúde Mental. A escolha de meu tenha derivou-se pelo  interesse de ampliar a participação da arquitetura quanto as reações humanas, e percebo como esta pode  ser decisiva em casos de saúde mental. Minha pesquisa ainda está em andamento e venho então buscar este contato com a intenção de saber diretamente o que pensa os profissionais desta esta área da saúde, quanto ao espaço em que são abrigadas as atividades.Gostaria, de obter opiniões e experiências, sobre como deve ser uma instituição de tratamento, que tipo de espaços devem existir, e de que maneira estes podem interagir, assim como o que não deve haver. Outro ponto que gostaria de saber, é quanto a opinião sobre, a internação e os hospitais dia ou noite, qual sistema está sendo mais difundido, e até que ponto são os benefícios.
Agradeço, desde já a atenção, e espero resposta, e deixo aqui registrado, que os profissionais da arquitetura cada vez mais tentam interagir com outros profissionais como o intuito de produzir um espaço para o usuário. E o campo da saúde, é um dos principais, pela grande relação que estes têm, e em grau mais alto, acredito, ser a área da saúde mental, onde o espaço deve ajudar, e não reprimir.
M. L. C..
Resposta:

L.: Muito prazer em receber seu email. Por coincidência, estou num processo de construir um Centro de Atenção Psicossocial e tenho que falar com a arquiteta a respeito da planta.
O que vai ser este seu Centro de Saúde Mental? É para atendimento tipo consultas? Ou é um  Centro de Atenção Psicossocial, onde pessoas que antes estariam internadas em hospitais psiquiatricos passam o dia?
Em primeiro lugar, retirar todo o aspecto "médico" do ambiente. Nada de azulejos, a não ser  nos locais próprios ( cozinha e banheiro ). Ambientes para grupos devem prevalecer, como tb ambientes amplos para atividades em conjunto.
Penso que a consulta individual deve cada vez menos ter espaço, portanto, ênfase nos espacos para grupos.
Ambientes o mais parecido possivel com uma casa e onde nao haja a tipica divisao entre "pacientes" e "funcionários". Plantas. Jardins.
A coisa ja se define pela sala de espera. ( Tive uma ma sensação esta semana. Vi pessoas esperando em pé, numa recepção de pronto socorro. O que é isso? Num momento em que mais precisamos de apoio, esperar em pé? Diante de um balcão?)
A sala de espera deve tb ser um ambiente para grupos, com os locais para sentar em forma de círculo e não do modo comum, em fila.
A Internação é um dos grandes enganos da Humanidade. O que fazemos é organizar outras formas de receber e tratar o sofrimento mental , que é familiar e social. Estamos trabalhando  muito com os Centros de Atenção Psicossocial, que é o que se chamava antes de hospital-dia. Mas não queremos que se pareca com um hospital nem no nome. São locais para se passar o dia em convivência produtiva, grupal, comunitária. Os espacos, aí,  são fundamentais para estimular estas vivencias.
( Tenho lido um urbanista frances que fala muito de subjetividade: Paul Virilio , v conhece? )

Me diga o que achou e vamos trocar idéias e, quem sabe, as plantas destes locais.
Abraco  Julio



        Esquizofrenia, Psicose e Cinema
    :   Sun, 30 Apr 2000 14:34:00 -0300

K. C.V. B. wrote:

  Sou aluna de Psicologia e estou fazendo um trabalho sobre três  romances psicanalíticos sobre a esquizofrenia e psicose. Os livros são: Nunca lhe prometi um jardim de rosas, A vida íntima de uma esquizofrênica e O sapateiro. Gostaria de enriquecer o meu trabalho com alguns filmes sobre o assunto e gostaria de obter algumas sugestões, além do filme Psicose. Agradeço se me enviar uma  resposta.
Obrigada

Resposta:
K.: Muito interessante o que v esta fazendo. Gostaria muito que v me mandasse o trabalho, para que eu  o coloque na página.
Quanto aos filmes, vamos ver. Lembro,  logo, de "The Wall", o desenho animado do Pink Floyd, v já viu? Mais:
"O Vampiro de Dusseldorf".
"Um estranho no ninho".
Um excelente, de Win Wenders: "Paris, Texas."
Depois te mando mais, pois gosto muito de cinema.
Abraço  Julio

K.
Mais um , muito bom e muito importante: "O Enigma de Kaspar Hauser", de Verner Herzorg.
Outro: "As Loucuras do Rei George".   Os dois tem em vídeo.
Abraço  Julio


  Sun, 09 Apr 2000 20:17:37
> Olá Dr.Júlio,
> Meu nome é Clarissa, sou de Curitiba, tenho 26 anos, e estou no primeiro ano de Terapia Ocupacional, estou amando o curso. Já tinha ouvido falar no curso, mas não sabia o que se fazia nele. É o bicho esse curso, que dizer, o máximo.
Outro dia li uma xérox de um livro muito interessante, Chance para uma Esquizofrênica, foi escrito por um Terapeuta Ocupacional, Rui Chamone Jorge. Ótima leitura, adorei mesmo. Agora, estou com uma xérox de Terapia Ocupacional e a Saúde Mental, texto de Nedra Gillete. Tb gostei muito, acredito que seja muito cedo por decidir e  qual área queira atuar, mas estou desde já vendo as que me interessa.
 Bom, vou ficando por aqui.
 Abraços,
 Clarissa
Resp:
Prazer em receber seu email. Estou, há quase um ano, trabalhando em coterapia com uma TO, com grupo de psicóticos e está
muito bom. Se v tiver algum texto que queira publicar na minha página, pode mandar. Mando em anexo um trabalho meu, junto com um colega, para v ver melhor o que faço. ( www.lagosnet.com.br/clientes/juces/ )
Abraco  Julio



Subject:
            Re: Implantação de Programas Municipais de Saúde Mental
       Date:
            Wed, 08 Mar 2000 19:53:13
G. wrote:

  Estou reunindo informações sobre o assunto para fins de implantação de programa de tratamento a nível de ambulatório.  Agradeço antecipadamente o envio material e outros dados.

G. Secretaria Municipal de Saúde   P

G. Para que possamos trabalhar, e necessario que v diga qual servico pretende oferecer, qual a realidade no momento, como e o atendimento, quais os problemas, com que equipe v pode contar.
Abraço
Julio

Subject: Re: Implantação de Programas Municipais de Saúde Mental
       Date: Thu, 09 Mar 2000 21:24:13 -0300
      G. wrote

 Prezado Júlio,

 O objetivo do programa que eu gostaria de implantar a nível de município - e talvez até servir de referência para a região - seria a de substituir a maioria das internações hospitalares por um atendimento permanente a nível de ambulatório.  As internações por problemas psiquiátricos estão mais ou  menos em 25 por mês e o problema se agrava por que os hospitais de referência estão a 150 km de distância.  Atualmente nós temos um médico psiquiatra que atende consultas eletivas, tres vezes por semana, e faz acompanhamento dos casos, com prescrição de medicamentos (mais ou menos 60 consultas/mês).
 Para montar o projeto de acompanhamento ambulatorial nós temos, no momento, 3 psicólogas, 1 assistente social, auxiliares de enfermagem, 1 farmacêutico, além do médico psiquiatra. Entendo que a assistência deveria englobar também os casos de alcoolismo e drogadição e que os familiares dos pacientes teriam que ser, também, agentes ativos do processo.
 Agradeço o interesse pelo nosso problema.
 G

Ok G.: . Montar o ambulatorio é correto, mas não é o bastante. O ambulatório é necessário mas não suficiente para que um Programa Municipal de Saúde Mental esteja indo bem. E o mais fácil, nas etapas da montagem de um programa de saúde
mental é o ambulatório. Ele já esta funcionando? Fundamental é que esta equipe se encontre regularmente para reuniões.
Os dados que v me deu me fazem perguntar por outros: quantos habitantes tem seu município? Onde e como  são atendidas as emêrgencias psiquiáricas? A Assistente Social tem um papel importante no controle das idas e voltas do hospital psiquiatrico, para que esta população seja conhecida e melhor tratada.
Qual a sua formação e função neste momento? Veja se algum profissional pode realizar grupos com estas pessoas.
Mande estes dados que te pedi e vamos ver o que acontece.

ps: não se lamente pelo Hospital Psiquiatrico ser longe...
ps2:vou colocar nosso diálogo na pagina, ok?
Abraco   Julio



23/02/00
 Sou estudante de Psicologia e tenho que fazer um trabalho sobre " aberrações sexuais ". Já estou lendo "Os tres Ensaios" ( Freud ), mas gostaria de saber de algumas outras fontes sobre o assunto. Desde já,
 grata, D.

D.: Gostaria de saber sobre este conceito de aberração sexual, que me ér estranho. Não existe este diagnóstico em psiquiatra nem em psicanálise.Esta é uma expressão do senso comum, cheia de preconceitos.
V tb pode ler Wilhelm Reich, que escreveu muita coisa boa sobre sexualidade. Leia :  "A Função do Orgasmo" , " A Revolução Sexual" e "A Irrupção da Moral Sexual Civilizada".  Abraço   Julio



G. R. wrote
 Olá
 Gostaria de parabeniza-lo por seu site.
 Estou à procura do relatorio da II conferência em saúde mental. Está disponivel na Net? Agradeço qualquer informação
 Obrigada
G. R.
]
Subject: Re: informações
       Date: Thu, 13 Jan 2000 23:46:49 -0200
      From: Julio Cesar Silveira Gomes Pinto <saudemental@lagosnet.com.br>
        To:
G.: Obrigado. Prazer em receber seu email. Não sei te dizer onde encontrar o Relatório que procura ( boa idéia
para ter na minha pagina!).Mas v pode procurar no Ministério da Saúde, no site (http://www.saude.gov.br/principal.htm ), ou por correio mesmo. Abraço    Julio


C. T. wrote::
       Saudações,

         Sou psicóloga formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e estou bastante interessada  nos estudos de casos principalmente por que li na página de vocês que o referencial teórico é a esquizoanálise , com a qual me identifico inteiramente. Gostaria de saber como e qunado psso participar.
 Por favor, aguardo resposta
 C. T.

Subject:  Re: discussão de casos
       Date: Thu, 13 Jan 2000 23:50:11 -0200
      From: Julio Cesar Silveira Gomes Pinto <saudemental@lagosnet.com.br>
       To:
C.: Prazer em receber seu email. Podemos combinar formas de trabalhar. V manda inicialmente o que v quer discutir e vemos como podemos fazer. Os modos que temos são o email e o chat online. Abraco   Julio



 D.L. Como vai?sou psicóloga e estou fazendo , ou tentando fazer , uma pesquisa acerca de temas relacionados à questões atuais em saúde mental/serviços públicos de saúde  devido a um concurso que estarei prestando aqui na baixada santista, onde moro.Fiquei entusiasmada com  este site, tanto pelo encontro com temas de que me interesso como também por essa interatividade entre os profissionais, essa troca de informações e experiências.Já faz algum tempo que venho procurando
 buscar informações mais atuais refernte a esse tema e confesso estar sentindo alguma dificuldade.Percebo algumas bibliotecas de universidades com defazagem de material (salvo algumas publicações de  livros como o seu, que ainda não adiquiri, mas percebi conter material  pertinente ao tema que procuro) e ainda não domino muito bem os recursos da internet para pesquisa.Dessa forma estou apresentando alguns tópicos mais específicos caso possa me indicar onde procurar( algum site ou texto ).Desde já agradeço a atenção .Políticas públicas em saúde mental, as práticas em andamento do psicólogo e deste com a aquipe multiprofissional, ao processo de desospitalização e a desinstitucionalização, sistema de organização do sus, princípios de epidemologia em saúde mental, diretrizes do atual modelo de atençào à saúde mental.  agradeço mais uma vez
> D. G.
            Re: QUESTÕES EM SAÚDE MENTAL
       Date: Fri, 14 Jan 2000 00:06:07 -0200
      From: Julio Cesar Silveira Gomes Pinto <saudemental@lagosnet.com.br>
        To:
D.: Prazer em receber seu email.
Realmente não temos ainda muita coisa publicada a respeito do que v procura. Existem dissertações de mestrado e teses de doutorado e artigos avulsos. Já podemos encontrar livros, como o meu e um recente, com trabalhos práticos apresentados como temas livres ( O Campo da Atenção Psicossocial, da Editora Te Cora, diversos autores). Não sei de um site que reuna estes assuntos.
Itens:
Políticas públicas em saúde mental: existe na UFRJ e na UFF setores que trabalham o tema. No Ministerio da Saude v pode encontrar portarias, normas, etc. ( http://www.saude.gov.br/principal.htm ). No Rio, temos o Instituto Franco Basaglia, que tem estudos e praticas nesta area, bem como um setor da FIOCRUZ.

As práticas em andamento do psicólogo e deste com a equipe multiprofissional. : nos livros citados acima e em teses.

Processo de desospitalização e a desinstitucionalização.: idem e no MS.

Sistema de organização do SUS : Existe uma apostila que e util para concursos, da Degrau, onde v encontra normas do SUS e seu funcionamento.
Tambem na publicacao do COSEMS-RJ, 1999: Construindo o SUS no Estado do
Rio de Janeiro.

Princípios de epidemologia em saúde mental. : FIOCRUZ e um autor bahiano: Naomar de Almeida.

Diretrizes do atual modelo de atençào à saúde mental.: Normas do MS e Programas Municipais de Saude Mental.

Abraço     Julio



T. wrote ( 9/1/2000 )
Sou médica clínica e homeopata, e trabalho em uma cidade pequena onde o índice de doença mental é muito elevado e os pacientes passam esporadicamente por psiquiatra e tem que ser acompanhados no posto de saúde da cidade devido às dificuldades.
Gostaria deimformações sobre cursos de pós Graduação em psiquiatria latu sensum, pois não posso parar toda minha clínica para fazer residência e ao mesmo tempo necessito saber mais psquiatria , pois me sinto muito perdida frente determinadas situações
Desde já agradeço atenção.
T
T.: Prazer em receber seu email. A questão que v coloca é muito importante. V pode ver em Universidades o que está sendo oferecido de pós graduação, mas o que conheço são as Residâncias em Psiquiatria. V pode aprender Psiquiatria para seu uso como Clínica nos livros de Clínica Médica ( o que tem no Cecil é razoavel, apesar de apenas organicista ), ou no "Compêndio de Psiquiatria, de Kaplan e Sadock".  Mas acho que o principal não é isso. Pelo que entendi, v atua como Clínica em Posto de Saude. E é aí que v precisa atender pessoas com problemas mentais. V precisa participar de uma rede organizada de Saude Mental, fazer parte de um Programa de Saúde Mental organizado pela Secretaria Municipal de Saude do seu Municipio. Nestes Programas de Saude Mental, que definem o papel de cada profissional na rede, o trabalho do Médico Clínico é muito importante, porque ele fica mais em contato com a comunidade. Os Programas de Saúde Mental tem como uma de suas funções treinar os Clínicos e supervisiona-los para que desempenhem suas atividades com as pessoas que necessitam. Desta forma, o Clínico participa de uma rede de referencia e contrareferencia e o sistema fica organizado, com seus profissionais sabendo o que todos estão fazendo.
O Brasil vive um momento de expansão dos Programas de Saúde Mental, mas nem todos os Municipios do pais contam com um. Por isso, te pergunto: existe um Programa de Saúde Mental em seu Municipio? Quantos habitantes tem aí? Onde são atendidas as Emergências Psiquiátricas? Quantos profissionais de Saúde Mental existem na rede publica? Quais são os casos que mais necessitam do seu acompanhamento?
Vamos trocar estas informações.

obs: coloquei na pagina este nosso dialogo, com seu nome abreviado. Se v permitir, colocarei a sequência e seu nome todo.   Abraço    Julio



De: A
Assunto: duvida
Data: Sábado, 2 de Outubro de 1999 18:10

É preciso ter algum conhecimento clínico para ler Freud?? Qualquer pessoa
pode ler e compreendê-lo ??
Por exemplo:
 O livro Interpretações dos Sonhos é valido para qualquer um??

Obrigado pela  atenção

Resposta:
Alberto: Ler Freud e um grande prazer. Principalmente se você tiver paciência.
Ele não ganhou prêmios científicos na época, mas sim literarios. Portanto,
já te respondi, em parte. Não é necessário ter conhecimento clínico. Basta
ter curiosidade a respeito dos mistérios do Homem. A Interpretação dos
Sonhos é um grande livro para se ler sem compromisso clínico, mas há outros
também. Recomendo: "Sobre a Transitoriedade", "Os  Delírios e os Sonhos  na
Gradiva de Jansen". Os textos sobre psicologia coletiva ( Moisés e o
Monoteísmo, Psicologia das Massas e Análise do Ego",  por exemplo ). Portanto, aproveite!
Abraço  Julio



16/09/99
Júlio, relendo seu trabalho  ( Terapia Grupal Interdisciplinar de Psicóticos, em coautoria com Paulo de Tarso de Castro Peixoto ),algumas questões me vieram à mente. Vamos a elas:

Como você mesmo cita, Freud promoveu uma terapia do falar. Seu trabalho com a histeria era baseado na indução do paciente a lembrar-se de seus traumas. Sobre isso, uma professora minha faz uma crítica em tom de brincadeira, que simplifica o trabalho e a teoria de Freud. Ela diz que uma situação com uma paciente poderia ser resumida em:
(Freud colocando a mão na testa da paciente) Lembra!
(paciente) Não lembro.
(Freud) Lembra!
(paciente) Não lembro.
(Freud) Lembra!
(paciente) Lembrei! Oh, obrigada doutor, estou curada!

É uma brincadeira, mas com uma intensa crítica. O que você pensa disso?

Mais de uma vez ouvi a "teoria"(não sei ao certo que nome dar a isso) de que se uma pessoa na família adoece (e aqui me refiro as chamadas doenças mentais), isso é reflexo de uma família doente. Eu entendo isso quando aplicado a drogadicção, mas a estados psicóticos... Não sei, o que você acha?
Da mesma forma, me assustou um bocado, a teoria winnicottiana de que as psicoses são causadas por severas quebras de continuidade na relação mãe-bebê, e portanto na vida do bebê enquanto este ainda não tem noção de objeto, durante os primeiros estágios de vida. Ou seja, depois disso nada pode ser feito, pois as marcas no Self são indeléveis...
De maneira geral acho essa teoria pouco humanista, ou seja, onde fica a crença de que as coisas podem se modificar?
Por outro lado, as diferentes teorias são tão diferentes que me sinto uma fiel buscando uma religião. Todas tem uma lógica interna para explicar o que acham que lhe cabe, porém não se pode aceitar todas, ou você ACREDITA mais em uma ou em outra... É tudo uma questão de credo então?

Seu trabalho é muito rico, me suscitando vários pensamentos, nem sempre exatamente no tema, como você deve ter percebido. Mas pelo que entendi ele foi escrito para profissionais formados, ou seja, eu, em formação pude absorver pouco dele. Há vários tópicos que você aborda que são interessantíssimos, mas você passa por eles tão depressa que não consegui perceber a relação deles com o assunto, e tampouco entender a maioria deles.
Um exemplo que poderia citar sobre isso é a "Alienação social", que não estou certa se consegui associar com o tema da maneira que você o fez. Me senti como se estivesse realmente faltando ler toda sua bibliografia, citada e não citada no texto, para acompanhar seu passo.

Bom, outros tantos pensamentos já me vieram à mente, mas vamos como Jack, por partes.

Abraço
Clara.

Resposta:
Clara: O que vale escrever um texto é receber comentários como o seu.
       Quanto a brincadeira da professora, no próprio texto eu critico esta norma da psicanálise de que tudo tem que passar pela fala. O inconsciente pode ser colocado para produzir criativamente sem intervenção da palavra.
       Família e psicose: O que vemos é que são muitas as  teorias a respeito da psicose, muitas discordantes entre si e nenhuma certeza. Retifico a expressão "doença". Não gosto deste termo para qualificar o que chamamos "psicose". Este conceito de doença mental tem seu inicio histórico, que tb traço no texto. Obedece a interesses de controle. Então, de nada vale dizer que a família é que é doente, não muda nada e culpabiliza as familias.Mas existem mesmo padrões de relacionamento perturbados. E quanto aos drogaditos, a mesma coisa. Pq, desta forma, culpando a família, a sociedade atual, alienante e que não fornece perspectivas à maioria, fica inocentada. O termo alienação é da sociologia e de Marx. Neste, pelo que entendo , a alienação começa quando quem produz não pode gerir os meios de produção e não define o que vai ser feito do produto e do que este rende. Em situações de alienação, os desviantes são mais combatidos, vide internação psiquiátrica, pois denunciam, com seu desvio, todo o sistema.
       Meu texto é mesmo uma provocação para o estudo. Sei que o caminho é longo e deve ser múltiplo, mas esta é a graça da coisa. A bibliografia do texto é um convite ao estudo.
       Sei que muitas organizações de estudo e correntes de pensamento psi  são mesmo idênticas a  seitas. Perfeito. Temos que sair disso e praticar: estudar tudo o que for possível e questionar tudo.
       Winnicott, como outros autores, é muito interessante. São úteis as descobertas dele, bem como as teorias sobre família, como comentei antes. Mas nada pode ser reduzido a uma "causa", em saúde mental. E ele não é tão pessimista assim, sua terapia se baseia  na repetição na transferencia do que faltou na infância e na tentativa de recuperar isso.
       Vamos por partes, mas continue.
       Abraço a v e a todos da lista.     Julio

eGroups.com home: http://www.egroups.com/group/psicose
http://www.egroups.com



Assunto: projeto!!!
Data: Domingo, 29 de Agosto de 1999 13:02
Parabéns pelo trabalho, a Home page está ótima!!
Meu nome é D. e queria que vocês me ajudassem.
Estou fazendo um projeto para apresentar no final deste ano sobre as
ofertas dos serviços de saúde mental. Gostaria que vocês me respondessem
como vocês se organizam para prestar este serviço?
Como estou me formando em administração mas, sou louca por psicologia e
todos os assuntos voltados para esta área, resolvi montar um projeto sobre
a reorganização dos demais serviços de saúde mental.Conto com vocês no que
puderem me ajudar estarei muito agradecida!!!
Sucesso,
D ( RJ )
Resposta:
D. : O.k., mas v tem que me fazer perguntas mais específicas: para que
tipo de coisa v quer este projeto? É para apresentar aonde? E o que v quer
saber? V quer saber a organização dos programas de saúde mental municipais?
 Abraço  Julio

Assunto: projeto saúde mental!!!!
Data: Domingo, 29 de Agosto de 1999 15:32

Oi Julio, que bom que a resposta foi imediata.
Desculpe se as perguntas não foram específicas vou tentar explicar melhor
o.k.?
O meu projeto está voltado para reorganização dos serviços de saúde mental
municipais.
Irei apresentar no final do ano para uma banca na própria faculdade.
Gostaria de saber como vocês se organizam para prestar os serviços que
oferecem?Como administram?
Conhecem as cooperativas, tipo plano de saúde? O que acham sobre isto?
Como a saúde mental é tratada frente ao sus, pas e os planos de saúde?
Agradeço pela atenção e aguardo ansiosamente alguma resposta.
Abraço,
D.
Resposta:
D. : A saúde mental não vem sendo bem tratada por nenhum plano, nem
pelo SUS. Mas um grande movimento de profissionais leva adiante, no Brasil
e em outros países, formas bastante interessantes de oferecer tratamento
publico e particular.
 Mas , se eu for responder a todas as suas perguntas, levara o tempo que v
vai levar para fazer o trabalho. O que v me pede é muito no âmbito de
simples emails.
Se v quiser, podemos ver formas mais prolongadas de trabalhar aqui.
V tb pode obter estes dados no município onde v trabalha. Mas se v quer
apresentar uma proposta sua, vai ter que ver de perto como se faz.  Abraço
Julio



Assunto: Me ajude!!!!
Data: Domingo, 29 de Agosto de 1999 21:37

Julio, queria uma idéia de organização do serviço que oferecem, não
querendo insistir mas acho que não levará tanto tempo assim para me ajudar
se quiser dou o meu endereço e me manda pelo correio.
É importante a participação de vocês, tenho alguns dados sobre o conselho
regional de psicologia, sobre sociedade de psicanálise,mas isso é pouco
perto dos dados que preciso compor para concluir o meu trabalho.
Como podemos fazer para receber sua ajuda???
Agora, não necessariamente terei que ver de perto como a coisa é feita,
pois tem um estudo de caso que relato no meu projeto que é feito nos
Estados Unidos.
Me ajude!!!Não precisa responder detalhadamente.
Abraço D
Resposta:
D: Os programas de saúde mental são organizados em níveis. Existe o
nível mais básico que são os postos de saúde, que devem ter equipes
treinadas para identificar e encaminhar os pacientes, além de fazer
trabalhos em grupo, preventivos, e tratar o alcoolismo. No outro nível,
estão os ambulatórios multidisciplinares especializados, para o atendimento
geral. Depois, a emergência psiquiatria em hospital geral. Temos os Centros
de Atenção Psicossocial, para convivência diária de psicóticos graves. Por
último, evitando seu uso o máximo que for possível sem colocar em risco as
pessoas, existe a internação psiquiátrica em clínicas e hospitais
psiquiátricos. O esquema é esse. Em que cidade v está? Julio



Assunto: projeto!!
Data: Segunda-feira, 30 de Agosto de 1999 21:20

Oi Julio, em primeiro quero agradecer por dar continuidade no assunto
pensei que fosse me escrever para procurar melhor o assunto em uma
biblioteca qualquer ou com meus professores da faculdade.
Eu moro no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa!!!Conhece? E você, mora
aonde?
Hoje fui entrevistar um psicólogo que trabalha com pacientes com
dependências químicas, é uma instituição
voltada somente para este tratamento, super interessante.
Estou desenvolvendo um capítulo sobre a Reforma da Saúde que por sinal a
cada dia torna um agravante para a sociedade.Uma das alternativas ao atual
modelo de saúde pública no Brasil é uma parceria com o sistema privado,
terceirizando o atendimento municipal e tendo como efeito uma ampliação no
mercado privado de saúde.
No seu ponto de vista como acha que a saúde mental é tratada com relação ao
SUS(Sistema único de Saúde); ao PAS(Plano de atendimento a saúde) e aos
planos de saúde?Vocês trabalham com planos de saúde?O que acha a respeito
disto?
Você deve estar se questionando nossa essa D.  faz uma pergunta atrás
da outra que chata!!!Mas se puder
ajudar agradeço mais uma vez.
Abraço, e aguardo notícias...
D.



D.: Pode perguntar o que quiser, D.. Moro em Macaé, mas
passei muito tempo da minha vida profissional no Rio e em Niterói. A
respeito da terceirização , ainda tenho que ver mais experiências, mas o que
penso a principio e que salários públicos satisfatórios, controle popular
sobre as ações de saúde e sobre o que os profissionais fazem, isto e,
participação popular nas ações de saúde, deve ser superior a terceirizar.
Não gosto da idéia de saúde dar lucro. Talvez as cooperativas sejam algo a
ser tentado. Mas o "mal" não esta no serviço publico e sim na falta de
participação, na falta de cidadania .
O SUS ainda não esta totalmente implantado, tem suas ações baseadas em
remuneração por procedimento, o que gera fraudes sem fim e esta voltado
para as ações curativas, deixando as preventivas sem apoio.
Os planos de saúde limitam o numero de atendimentos que o profissional pode
realizar, o que na saúde mental e péssimo.
O PAS, não conheço bem , mas o que ouço falar de São Paulo não é bom.
Mas, na área publica, na ultima década, vimos grandes avanços, com o número
de internações psiquiátricas caindo e diversos tratamentos alternativos
surgindo em todo o pais. Temos uma vantagem: não precisamos de
equipamentos, apenas gente para trabalhar, espaço físico e remédios.
Aí no Rio temos um bom Coordenador de Saúde Mental Municipal, o Hugo
Fagundes, v pode procura-lo. E tb o Pedro Gabriel, Coordenador do Programa
de Saúde Mental do Estado do Rio. Pessoas com muita experiência.
Abraço   Julio

28/8/99
Caro Júlio, Meu nome é R., faço psicologia e estou pesquisando sobre a relação entre o fenômeno urbano e a saúde mental. Do ponto de vista da psicanálise, como posso fazer uma associação do adoecimento do indivíduo com o ritmo que os grandes centros urbanos nos impõe? Existe uma relação direta das neuroses com a cidade grande? Qual sua opinião?  Onde mais posso pesquisar sobre este assunto? Sua HP é de extrema importância para os profissionais e estudantes da área de saúde, é um canal de comunicação fundamental. Já divulguei seu trabalho com psicóticos junto aos professores na minha faculdade e pretendo ( talvez seja muita pretensão) desenvolver um projeto com crianças psicótica e autistas com musicoterapia, estou aguardando a resposta do Paulo (musicoterapeuta) conforme sua resposta para e-mail que já enviei. Obrigado pela sua atenção! Abraço, R.

Resposta:
R.: Existem estudos clássicos sobre adoecimento mental e áreas urbanas. Roger Bastide é um autor fonte importante. Quem trabalha isso é a sociologia e a antropologia. Mais recentemente, um urbanista francês, Paul Virilio , tem escrito coisas muito interessantes sobre a relação entre o espaço urbano e a subjetividade. "O Espaço Critico" é um desses livros dele. Ele trabalha muito a questão do controle. No meu modo de ver, talvez o que determine a neutotizacao não seja o fato de se é urbana ou rural a área em questão, mas o tipo de relação social que está estabelecida entre os cidadãos e entre eles e os meios de participação nas decisões. Veja a Sinopse do "Espaço Critico", a venda na Booknet:
                  "Na obra, o autor parte da arquitetura e das políticas urbanas para investigar o efeito sobre nossa consciência Ética de um mundo que se organiza cada vez  mais em função deimagens e da comunicação.
Abraço Julio



Data: Quarta-feira, 14 de Julho de 1999 17:02

    Caro Julio

    Sou estudante de Saúde Pública e gostaria de saber mais a respeito das formas substitutivas ao modelo manicomial como CAPS/NAPS , hospitais -dia, etc. Quais as formas de seleção para estes espaços como o NAPS por exemplo, ele pode ser realizado apenas pelo diagnóstico? Quem pode e quem não pode se beneficiar com estes serviços? Gostaria de saber também sobre suas diretrizes e normas para funcionamento.

Agradeço antecipadamente! B

Resposta::
Os CAPS surgiram para proporcionar um espaco de acolhimento para pessoas com que anteriormente seriam internadas em hospícios. São locais que oferecem oficinas terapêuticas, com diversos profissionais de saúde mental e instrutores ( teatro, música, artes em geral ) e onde o exercício do convivio com a diferenca é tentado de modo o mais radical que a equipe
suporta. A seleção é de pessoas chamadas "psicóticas". Na minha outra HP tem mais coisas sobre Caps
( www.lagosnet.com.br/clientes/juces/ ) . V estuda Saude Publica aonde? Em que nível?  Abraço  Julio

 Olá Julio!!

    Achei muito interessante sua home page, tenho interesse pelo seu trabalho com grupos de psicóticos e ficaria muito grata em recebê-lo.
    Bom, te respondendo estudo saúde pública na UPE e estou no 2 ano desenvolvendo minha monografia em saúde mental por isso o interesse nesta área. Contudo estou tendo dificuldades em encontrar bibliografia como fonte para dar fundamento ao trabalho mais especificamente sobre os NAPS/CAP, Hospital-dia, etc.. A seleção para estes espaços ainda não é muito clara
para mim, pois nem todos os ditos "psicóticos" tem condições para integrar nestes serviços e alguns dianósticos são considerados inadequados. Assim sendo, queria ter maiores esclarecimentos a respeito do assunto.
 Um abraço B

Resposta:
B: Existe um livro, mas que não está aqui comigo, cujo autor se chama Jairo, que trata de CAPS. Não tenho como ver o nome do livro agora, infelizmente.
V está muito preocupado com diagnóstico, o que a meu ver não é bom. Não se esqueca que diagnósticos são conceitos mutáveis ao longo da história. O que era possessão demoníaca virou santidade e depois loucura e por aí vai. Cada época classifica os seres diferentes de acordo com a sua necessidade. Freqüentam os CAPS, no momento em que vivemos, aquelas pessoas que atualmente são tidas como "psicóticos graves". Segue em anexo a íntegra do trabalho.
Nota: Vou escrever um projeto para criar um CAPS aqui onde trabalho.
Continuo sem saber que curso v faz. O que é? Abraço  Julio



SÃO PAULO, 12 DE JULHO DE 1999.

SOU ESTUDANTE DE SERVIÇO SOCIAL E GOSTARIA DE OBTER MAIORES INFORMAÇÕES A RESPEITO DE SAÜDE MENTAL E SERVIÇO SOCIAL PARA REALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS NA CADEIRA DE SAÜDE MENTAL E PSICOPATOLOGIA .

DESDE JÁ AGRADEÇO, NO AGUARDO DE UMA BREVE RESPOSTA

E. O.

Resposta:
E.: A sua pergunta e muito ampla. O que v precisa, mais especificamente?  Julio

SAO PAULO, 13 DE JULHO DE 1999

PRIMEIRAMENTE, AGRADEÇO PELA ATENCAO. QUANTO À  PERGUNTA, PRECISO DE MAIS INFORMAÇÕES A RESPEITO DE:
- PREVENÇÃO DE PSICOPATOLOGIAS.
- COMO O ASSISTENTE SOCIAL PODE TRABALHAR ESTA QUESTÃO?
- QUAL A RELAÇÃO QUE PODEMOS ESTABELECER ENTRE SAÜDE MENTAL E A SOCIEDADE?

ESPERO QUE TENHA DELIMITADO O SUFICIENTE. DESDE DE JÁ AGRADEÇO
E. O
.
Resposta:
E.: A área de prevenção em Saúde Mental é cheia de perigos, por causa de uma tendência a tornarmo-nos controladores de comportamento. Ja aconteceram trabalhos assim , o que é lamentável.
Para prevenir psicopatologias, muitas coisas precisam ser realizadas.De inicio, v terá que delimitar as patologias claramente orgânicas, como os retardos mentais, por exemplo, que podem ser evitados com bom prenatal, bom parto e boas condições na infância, das outras "psicopatologias", que não tem clara origem orgânica, pelo contrario. Estão no último caso as psicoses e as neuroses. Nestes últimos casos, acredito que uma sociedade igualitaria, onde exista pleno desenvolvimento do potencial humano, com oportunidades iguais para todos , justiça social e paz, seria o ideal para prevenir psicopatologia.Devemos trabalhar neste sentido, portanto. V pode ver o livro de Wilhelm Reich, "A Irrupção da Moral Sexual Civilizada", que iliustra bem o que digo. Como v vê pela minha resposta, penso que a relação entre Saude Mental e Sociedade é completa.   Abraço
Julio



Assunto: implantação/supervisão programas saúde mental
 Data: Quarta-feira, 14 de Julho de 1999 09:56

       Somos grupo de estudo na cidade de Novo Hamburgo,preocupados em realizar uma atividade de esclarecimentos e estudos junto aos professores que vem encontrando em suas salas de aula dificuldade em atuar junto ao aluno "diferente".A área da saúde mental é bastante enfatizada em nossa comunidade,bem como,há um trabalho comunitário em saúde mental.Gostaríamos de receber maiores informações desta temática.Agradecida,U..

U., por favor, esclareca o que v quer. O assunto é muito interessante e já trabalhei o tema usando o lindo filme de Werner Herzorg, "O Enigma de Kaspar Hauser", disponivel em video. Mas diga o que v quer que eu informe.
Abraço  Julio



Data: Domingo, 11 de Julho de 1999 09:24
  Assunto: COMO CONSEGUIR SEU TRABALHO SOBRE ABSTINÊNCIA....

JÚLIO,
  MUITO OBRIGADA MAIS UMA VEZ PELA ATENÇÃO. GOSTARIA DE SABER COMO
CONSEGUIR SEU TRABALHO SOBRE ABSTINÊNCIAS ALCOÓLICAS E, TAMBÉM SEU LIVRO,
ANDEI DANDO UMA PASSEADA PELA SUA HOME PAGE NOVAMENTE E ACHEI OS TEMAS DO LIVRO SUPER INTERESSANTES! AONDE POSSO COMPRA- LO?
      ABRAÇOS, MARLUCE

Marluce: O trabalho sobre alcoolismo segue em anexo a este email.
              O livro, v pode comprar comigo direto, por deposito bancário. Chega pela Vaspex. Tb. tem nas Lojas Siciliano e na Siciliano Virtual.  Abraço  Julio



  Assunto: Discussões sobre saúde mental
 Data: Quinta-feira, 1 de Julho de 1999 13:57

Gostaria de saber como posso participar das discussões sobre saúde mental. Sou enfermeira, moro em Fortaleza - CE,  e atualmente estou fazendo mestrado em saúde comunitária e pretendo desenvolver minha pesquisa no referencial da análise institucional e esquizoanálise. Se puder obter contribuições através do seu endereço será ótimo.
 obs: tenho o icq instalado.
 Li  ra
Resposta:
 L.: Podemos nos comunicar por email, ou, se v quiser, por ICQ ou mIRC ( prefiro este ). Analise institucional e esquizoanálise é do que gosto e são as linhas do meu livro. Escreva   Abraço  Julio

Assunto: Re: discussões sobre saúde mental
 Data: Quarta-feira, 7 de Julho de 1999 14:47

 Oi Júlio,
  Foi um prazer receber sua resposta. Gosto muito de saúde mental e no momento estou muito empolgada com o assunto da esquizo-análise. Você disse que está trabalhando nessa área e que tem um livro. Eu gostaria muito de poder lê-lo.
 Se você quiser, posso te enviar meu projeto, quem sabe você não me dá umas dicas? Também adoraria se vc me mandasse referências de livros sobre análise institucional ou esquizo-análise. Até agora só li o Compendio de Análise Institucional (Baremblitt), alguns números da revista saúde loucura e um volume dos cadernos de subjetividade.  Sobre esquizo-análise gostaria de ler algo mais introdutório pois ainda não domino o assunto.
 Você disse que poderíamos nos comunicar através de icq mas não tenho seu número e quanto ao Mirc eu nunca usei e não sei como acessá-lo, talvez vc possa me ajudar.
 Como vc pode ver preciso muito de ajuda, não é? :)
 Espero que possamos trocar muitas idéias e conversar bastante.
 um abraço
 Li ra

 Resposta:
L: O meu livro esta à venda na minha pagina, e só mandar dizer sua cidade e  ele chega aí pela Vaspex. Custa 28 reais mais metade do preco do frete.
Gostaria muito de receber seu projeto.
V não escapará de ler "O Anti Edipo ", que é o marco da esquizoanálise.
Comece logo, pq não é muito fácil. Depois falamos mais de bibliografia.
Instale o mIRC e vamos ver como comecar. E manda seu numero de ICQ ( o meu é... ). Qual seu apelido?
Um abraço  Julio

Assunto: discussões sobre saúde mental
 Data: Quinta-feira, 8 de Julho de 1999 19:44

 Oi Júlio,
 Vou procurar o seu livro ainda hoje. Quanto ao meu projeto, acho que devo primeiro fazer alguns ajustes antes de enviá-lo a você, mas acho que vai ser muito bom poder contar com sua ajuda.
 Meu icq é ICQ..  e meu nick é ..... Vou adicionar você assim que  puder.Quanto ao mIRC: aqui na faculdade tem instalado mas ainda não sei como usar. Como fico sabendo o horário em que você vai estar on-line? Acho mais  fácil pelo icq.
 Vou procurar o Anti-édipo logo, já desconfiava que ia ser fundamental para meu projeto. Obrigado pelas dicas e fico esperando mais notícias.
 Um abraço
 Li   ra

Ok, Lia, em breve combinaremos horario. Geralmente posso depois do almoço ( fins de semana )e à noite tb, nos domingos.
Julio

 Assunto: discussões sobre saúde mental
 Data: Sexta-feira, 9 de Julho de 1999 20:55
 oi julio,
 geralmente eu entro por volta das 18:00 ou depois do meio-dia mas se você me disser seu horário, posso tentar encontrá-lo.abraços
 li  ra
Resp:
Podemos mardar hora para falar no mIRC, o que teremos que fazer tb para o ICQ. Ja autorizei, no ICQ. Vamos nos falar. Julio



Assunto: implantaçao de um CAPS
Data: Quarta-feira, 7 de Julho de 1999 00:52

Estamos implantando um serviço novo em parceria com a prefeitura municipal
e o estado do Mato Grosso, porém somos um serviço pioneiro e não temos
referencial, gostaria de algumas orientações.

Rondonópolis- MT

Resp:
Ok, Luciani.Mande suas duvidas e descreva o que vs vão fazer. Abraço  Julio


Assunto: LEITOS PSIQUIATRICOS
Data: Sábado, 26 de Junho de 1999 16:36

Oi Júlio,
 Sou Assistente Social em um Hospital Geral no sertão da Bahia, gostaria de saber se existe alguma lei que obrigue os Hospitais Gerais a disporem de leitos para pacientes psiquiátricos, e, se existe como posso adquirir uma cópia da mesma.
     Grata,
   M.
 Assistente Social

Resposta:
Oi Marluce. Nao há lei que obrigue.  O que existe é uma lei que impede o credenciamento de novos leitos psiquiatricos e , quando do fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos, eles podem ser repostos em Hospitais Gerais. Mas pq v está interessada nisso? O que v faz por ai?    Abraço
Julio

Assunto: PORQUE MEU INTERESSE EM LEITOS PSIQUIÁTRICOS
Data: Quinta-feira, 1 de Julho de 1999 20:06

Oi Júlio,
 Agradeço muito sua resposta à minha dúvida quanto a leitos psiquiátricos em Hospitais Gerais . Eu trabalho num Hospital Geral do Estado em I. Ba; aqui nós temos um ambulatório de saúde mental do qual faço parte como Assistente Social. Existe um único Psiquiatra que atende um turno à uma população de pacientes de uma região imensa, o único serviço de psiquiatria mais próximo fica a 385 km, em Feira de Santana. Acontece que é comum o psiquiatra atender pacientes em surto psicótico e o hospital recusar o internamento por tratar-se de doentes mentais então encaminha-se para Salvador que fica a 500 km daqui, com isso paciente perde o contato com a família que nao tem condiçoes financeiras p/ acompanhá-lo e quando retorna geralmente adquire vícios que antes nao tinha, como cigarro ...
   Nós temos agora um caso interessantíssimo de duas gêmeas de 21 anos de idade que entraram em surto juntas pela segunda vez, elas dizem ser uma só e nao precisar de nada do mundo externo para viver, é incrível como elas respondem as perguntas ao mesmo tempo como se fossem uma só pessoa... estas, estao internadas porque um radialista local pediu ao diretor do hospital p/ "hospedarem " as mesmas pois a mae recusa-se a levá-las p/ hospital psiquiátrico.Como podemos ajudá-las a nivel de ambulatório?
        Grata,
    M.
Resposta:
M.: Muito interessante o trabalho de vs. Vs têm que treinar a equipe do Hospital Geral para atender, por pelo menos 3 dias, aos casos de Emergência Psiquiátrica . E isto não se faz à fôrça , tem que haver muita paciência. Tenho feito isso por aqui, com resultados que variam de acordo com a possível aliança que se faz com médicos e enfermeiros. A emêrgencia psiquiátrica em hospital geral é o que se recomenda agora. Vs tem a chance de, por pressão da falta de recursos, montar uma Saúde Mental Comunitária aí. Veja se dá para trabalhar com Agentes de Saúde. Mas, o mais imediato me parece ser o treinamento dos clínicos da emêrgencia. Não sei se te mandei trabalhos meus. Mas tem um aqui sobre tratamento de abstinências alcoólicas,
para atender em pronto socorro, que posso mandar. Abraço  Julio



Assunto: Psicanálise e Esquizoanálise
Data: Quinta-feira, 24 de Junho de 1999 16:55

Júlio,
Me chamo I. S., estou formando em psicologia em julho 99 e gostaria de maiores informações sobre a possível conjunção entre a teoria psicanalítica e a filosofia de Deleuze e Guattari. Tenho desenvolvido alguns textos nestas duas áreas mas separadamente por se tratarem de proposições de fato opostas. Gostaria de saber se concorda com esta afirmação e, se possível, de ter acesso aos seus trabalhos desenvolvidos na tentativa de aproximar essas duas correntes do pensamento moderno.
Abraço, I

Resposta:
Muito prazer em receber seu email. Os conceitos não são opostos, se nós resolvemos jogar com eles e fazer uso deles como for útil para nós. Esta é uma das proposições do Deleuze, que gosto muito. A melhor forma de ver como trabalho os conceitos seria comprar meu livro, mas esta sugestao é meio suspeita. Alem de na minha pagina, v pode encontra-lo nas livrarias Siciliano e na siciliano virtual  ( www.siciliano.com.br ). Mas vou te mandar um trabalho ( Terapia Grupal Interdisciplinar de Psicóticos), em coautoria com um colega, e que faz parte do livro, que mostra a minha crítica e minha articulação de conceitos. Aguardo comentários.
Abraço   Julio


Assunto: psicose maniaco depressiva
Data: Domingo, 20 de Junho de 1999 20:57
Prezados amigos
     Gostaria de saber sobre transtorno bipolar ( psicose maniaco depressiva).
    Sou estudante de psicologia e estou desenvolvendo esse trabalho para a equipe de genética.
    Se puderem me mandar algum caso como exemplo ou alguma materia para poder complemetar meu trabalho, agradeço desde já.
 Muito Obrigada
                           C.
Resposta:
Oi C.: Este diagnóstico e muito comum. Existem características muito parecidas entre as pessoas com este diagnóstico. O "problema" começa mais tarde do que a esquizofrenia, isto é, por volta dos 30 anos. Podem existir episódios maníacos ( euforia, agitação, idéias de grandeza, libido aumentada, etc) , ou uma alternância de episódios maníacos e outros depressivos ( tristeza, anedonia, lentidão, insônia terminal, idéias de ruína, etc). Há uma maior incidência deste diagnóstico em famílias que já
têm outras pessoas assim. O que não prova que a "causa" seja genética. Trata-se com medicação e psicoterapia. O que tenho visto, é que as pessoas com este diagnóstico têm um conflito superegóico , sempre. E, como disse um cliente meu, "o problema é entre o prazer e o dever". Acho perfeita esta definição. Famílias repressoras do prazer geram estas pessoas, que acumulam obediências até que explodem em alegria fora do comum ou caem na depressão. Um livro muito bom é  "Terapia Intensiva dos maníacos depressivos", de Frieda Fromm Reichman.É antigo, tem que procurar em bibliotecas. Se quiser, pergunte mais. Abraço. Julio







 Assunto: Conselho de Saúde
Data: Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 1999 13:19

Saudações.
    O conselho municipal de saúde do Recife. está analisando a proposta da Secretaria de Saúde de realizar um corte de 85 AIH's ( Autorização de Internação Hospitalar) de hospitais psiquiátricos. A idéia é uniformizar os números de leitos e AIH's dos hospitais conveniados. Estou procurando subsídios para a nossa discussão. Pensamos na necessidade de "amarrar" essa discussão a um calendário de construção de serviços extra-hospitalares, assim não será apenas uma medida de corte de gastos. Agradeço qualquer orientação.
Petra

Petra.:  V não me deu muitos dados, mas a principio sou contra regulamentacões partindo de gabinetes. A internação psiquiátrica vai ,aos poucos ,deixar se ser necessaria, na medida em que os trabalhos extra hospitalares ( ambulatórios, pensões protegidas, CAPS, etc) forem dando resultados. O que será feito com as pessoas que não puderem ser internadas, após a diminuição das AIHs? Que trabalho está sendo previsto para elas, para suas familias e comunidades? O que pode acontecer, se não há previsão para estas perguntas, é que, se uma pessoa que não for internada por falta de AIH provocar algum distúrbio ou dano fisico em si mesmo ou em outros, a proposta de diminuir leitos hospitalares sofre retrocesso. Mas, não sei
porque na sua cidade se tomou esta decisao. As clínicas estão muito ruins? O que ja foi tentado?
O que tenho feito e obtido bom resultado, como um inicio de trabalho, é organizar a Emergencia Psiquiátrica nos Hospitais Gerais, porque é de lá que partem internações desnecessárias. Se este setor se organiza melhor, logo as internações diminuem e sobram AIHs.
O Ministerio da Saude recomenda a organização de servicos extra hospitalares como modo de reduzir as internações. Então, v pode obter as normas do Ministerio para se basear.
Entenda a minha cautela como tática.
Qual a sua função ai?     Mantenha contato.   Abraço   Julio



Caro Sr. Julio Cesar,
            Tive o imenso prazer de visitar sua HomePage. Observei todos os tópicos exibidos, adoraria saber a respeito de todos, porém, acho que por estar no terceiro período de Psicologia, me interessei mais pela parte de "introdução à psicanálise". Ainda é cedo, mas pretendo me
especializar na área da sexualidade, ficaria muito grata se pudesse me enviar algum artigo, ou matéria relacionada aos assuntos que citei acima.
Desde já agradeço sua atenção.
Atenciosamente, A.

A.: Mando em anexo um capitulo do meu livro, que trata, de certa forma, da sexualidade. Mande seus comentários ou outra comunicação que queira.
Abarco   Julio

Data: Quarta-feira, 27 de Janeiro de 1999 19:20
 Sr. Julio,
            Recebi o capitulo de seu livro sobre sexualidade, e achei  muito interessante, pois sua abordagem sobre o assunto é sutil e  indireta, porém nos exemplifica claramente o ponto de vista e idéia do assunto. Gostaria de saber se em seu livro existe algum capítulo sobre Toxicômanos, caso possa me enviar ficaria muito agradecida.
Abraços A.
A.: Agradeço seu comentário, acho que v percebeu muito bem ( "sutil e indireta..."). No meu livro não há nada a respeito de toxicomania.  Abraço
 Julio


O., socióloga, atuando como técnica  da secretaria de saúde de S., município do Pará

Estamos com o propósito de implantar o polo de saúde mental  do município, e por isso desejo obter maiores informações quanto as diretrizes  para saúde mental, ações realizadas e composição das equipes de profissionais.

Desde já agradeço qualquer tipo de auxílio.

O.: : Muito prazer em receber seu email. Primeiramente,  gostaria de saber quantos habitantes  existem no município, quantos e quais os profissionais de saúde mental disponíveis para o trabalho, se existem leitos psiquiátricos no município ( se não existem , aonde são), como é a emergência psiquiátrica, quantas pessoas são internadas em psiquiatria por mês. E também, quais são os principais problemas na área de saúde mental daí. Existe programa de Saúde de Família e de Agentes Comunitários de Saúde?
A equipe básica de saúde mental e composta de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfermeiros psiquiátricos, musicoterapeutas, Visitadores Domiciliares. E pessoas para fornecer oficinas terapêuticas. Mas não podemos pensar no ideal, e sim no que existe. Com  os dados que pedi, podemos voltar a conversar. As diretrizes atuais do Ministério da Saúde, com as quais concordo bastante, são no sentido de ampliar a rede ambulatorial e de cuidados intensivos não-hospitalares, com a progressiva diminuição das internações psiquiátricas. É preciso paciência para que as transformações sejam todas muito bem aceitas pela população. É necessário investimento em treinamento de pessoal, após o que os custos com o sistema diminuem e a população é melhor atendida.
Abraço    Julio


 Oi Júlio, meu nome é L., sou psicóloga e trabalho em um ambulatório de saúde mental em S. MG. Gostaria de trocar informações sobre atenção a pacientes neuróticos dentro de Oficina Terapêutica, neste tipo de serviço.

OK L., vamos conversar. O que tenho visto de mais produtivo nesta área são grupos de sensibilização corporal, sem muita exigência de verbalização.
O que v pensa em fazer em oficinas terapêuticas para neuróticos? Qual o tipo de clientela?
Abraço   Julio

Oi, Júlio. Me perdoe a demora, mas é um pouco difícil ter oportunidade de entrar na Internet. Gostei de ter recebido sua mensagem. Foi minha estréia nessas ondas! Trabalho em um serviço de saúde mental, em S. MG. Atuo em atendimento ambulatorial e em oficina terapêutica (nesta, preferencialmente com psicóticos). Estou nesta cidade há mais ou menos dois anos. Desde que vim para cá, estou "meio" afastada do meio acadêmico. Antes de vir para cá, concluí dois cursos de especialização: um em Saúde Mental e outro em Psiquiatria Social, ambos no Rio de Janeiro. Atualmente, estou tendo algumas dificuldades em estruturar atividades dentro de meu serviço. Por ser um serviço público, pra ser um pouco original, faltam recursos materiais. Só que esta "desculpa" me incomoda, pois acredito que trabalhar com saúde mental é reciclar, resgatar aquele material humano que está à nossa frente com recursos que se encontram presentes no seu dia-a-dia. Minha maior dificuldade está em estimular a clientela masculina que acompanho na OT. Na maioria das vezes, são sujeitos cronificados, vindos de longas internações. Sua escolaridade é de nível bastante precário, poucos sabem ler. A economia da região se estrutura ao redor do artesanato, o que não parece interessa-los. Já com as mulheres, dá pra ser um pouco diferente. No final do ano, tive a oportunidade de montar um bazar dentro do serviço, com material produzido principalmente na oficina do pano de prato. Estudei dentro de um CAPS, no Rio, com uma realidade um pouco diferente, mas já encontrei o serviço pronto. Aqui, cheguei quando a Saúde Mental já existia há dois anos aproximadamente. Vim para ajudar a reestruturar a OT e organizar o projeto do CAPS da cidade. Atualmente, estou meio sem pique e sentindo falta de trocar "figurinhas" com pessoas da área. Eis o motivo da minha investida neste aparelho complicado. Bem, já "falei" de mais. Quem sabe a gente consegue marcar um horário pra bater-papo por estas linhas? Um abraço, L..

L.: Pois e, trabalho com psicóticos e assim mesmo, sempre em busca do nosso animo para continuar. O que tenho visto por aqui, tb trabalho com psicóticos em grupo, e que e muito bom utilizar técnicas de sensibilização corporal, tudo no ritmo deles. Concordo com v quando v diz que não precisamos de muito material, que a busca e a partir do zero. V tem uma boa
experiência. Onde  fez seus cursos? Na UERJ e Fiocruz? Onde e o CAPS que v freqüentou no Rio? Quais as dificuldades que v esta encontrando ai?
Tenho um canal, o #SaúdeMental, da Brasnet, mIRC. Se v quiser, podemos nos falar online.
E, caso se interesse, te mando um trabalho meu sobre o grupo de psicóticos que faço aqui.
Abraço   Julio



GOSTARIA DE RECEBER ALGUM TIPO DE INFORMAÇÃO REFERENTE A TRANSTORNO
OBSESSIVO COMPULSIVO, COM É PARA UM LEIGO ENTENDER ESTE MAL. M.

M.: Os diagnósticos em psiquiatria são muito questionáveis e tem a triste herança do modelo médico, que não se adapta a sentimentos. Não concordo com a visão de que estes problemas sejam "doenças". Dito isso, esclareço que, sob este nome que v citou, está um problema em que a pessoa sente ansiedade e, para alivia-la, tem o impulso de pensar coisas insistentemente ( obsessão ), ou praticar atos repetitivos ( compulsão ). Pode ir de uma coisa leve ate  tornar-se incapacitante. O tratamento é psicoterapia e medicação, se necessário. Se tiver mais dúvidas, escreva.
Abraço   Julio

Júlio , primeiramente obrigado pela atenção, estou curioso em saber mais sobre este assunto, pois tenho um caso na família.
A dúvida agora, é saber se pessoas que sofrem com esta obsessão chegam a ter visões ou alucinações.

M.: Não, visões e alucinações não fazem parte deste diagnóstico. Aí é outra coisa. Julio

Júlio, que outra coisa poderia ser isto, a tal ponto que a pessoa comece e ver coisas que não existem ou Ter que entrar numa loja e comprar tudo o que achar interessante sem conseguir se controlar.

M.: Só se pode saber o que são estas coisas no dialogo pessoal da pessoa que apresenta o problema com um profissional. Cada pessoa é uma subjetividade muito particular e não há diagnósticos definitivos, como na medicina. Esta pessoa que v cita deve procurar um profissional da área ( psiquiatra com orientação psicodinâmica ou psicólogo ).   Julio


Prezados Senhores,
Gostaria de obter de V.Sas, informações sobre o tema: Introjeção e Projeção.
Se tiver algum livro, ou outro tipo de pesquisa sobre este tema, ficarei imensamente grata em obter.
Desde já agradeço e fico no aguardo de um retorno.
Cordialmente,
Ma.

Projeção e introjeção são termos criados por Freud, para designar, tanto fases normais do desenvolvimento do psiquismo quanto mecanismos de defesa "patológicos". Melanie Klein, da Escola Inglesa, foi quem reforçou o uso destes termos, principalmente para entender a psicose. A projeção e um mecanismo que supõe fora o que esta dentro. Isto é, a pessoa vê no mundo uma característica que é dela mesmo. Introjeção é o contrario: supõe seu o que é de fora. Uma pessoa pode ouvir vozes vindas das paredes, por exemplo, quando são conteúdos do seu interior ( projeção). E pode se achar dotada de algum dom, que de fato não é dela, e sim de alguém outro ( introjeção ).
Em termos de autores, v pode ver mesmo é em Melanie Klein.    Abraço
Julio



11/10/98
Gostaria de receber informações a respeito das Psicoses, especialmente sobre Paranóia e PMD.
Grato, E.

       E.:
       V me pede esclarecimentos a respeito de diagnósticos. Um, geral, psicose, outros dois específicos: paranóia e PMD( psicose maníaco depressiva).
       Para começar a te responder, devo dizer que o papel do diagnóstico em psiquiatria é muito controvertido. Não é a mesma coisa que na medicina, onde a um diagnóstico corresponde uma etiologia e um tratamento. O uso do "modelo médico" em psiquiatria leva a enganos lamentáveis, quais sejam, os de supor que sabemos a origem, as causas dos problemas a que se dão os diagnósticos. Não sabemos, e quem achar que sabe está mal informado.
       Para uma crítica ao uso do diagnóstico na área mental, você pode consultar autores como Foucault, Baságlia e Laing/Cooper.
       Mas, já que existem, os diagnósticos devem ser bem conhecidos.
       O termo "paranóia" é bem antigo, tendo surgido em 1818, com Heinroth. Os primeiros grandes psiquiatras do passado percebiam que existiam pessoas que apresentavam delírios e que não tinham degeneração da personalidade. Isto é, fora a atividade delirante, mantinham-se sem outras alterações. A estes davam o nome de "paranóicos".
        Atualmente, este termo está em desuso, passando o diagnóstico para "transtorno delirante".
         Quando se fala em paranóia, o que é mais freqüente é que estejamos nos referindo a delírios de grandeza e/ou de perseguição.
          Podemos relacionar, seguindo Kaplan ( 1), sete circunstâncias que favorecem o desenvolvimento de transtornos delirantes:
1-  uma expectativa aumentada de receber tratamento sádico.
2-  situações que aumentam a desconfiança e a suspeito.
3-  isolamento social.
4-  situações que aumentam a inveja e o ciúme.
5-  situações que fazem que uma pessoa veja seus próprios defeitos em outras.
6-  situações que aumentam o potencial para a ruminação sobre possíveis significados e motivações.
Por esta lista, vemos a grande motivação psicológica para os delírios, o que coloca em questão a arbitrariedade de fixa-los e reduzi-los a um diagnostico médico.
 O tratamento dos transtornos delirantes consta de medicação  e psicoterapia.
 

           Quanto à psicose maníaco depressiva, este também é um termo antigo. As recentes classificações mudaram este diagnostico para "transtorno do humor, tipo bipolar". O que é isso?
            A observação de pessoa com diagnostico de psicose, levou os estudiosos à conclusão de que uma parte significativa deles tinha fases de euforia, agitação, idéias de grandeza e grande atividade, alternadas com períodos de depressão, lentidão e idéias negativas. Observaram também que estas pessoas mantinham sua personalidade anterior nos períodos entre as crises. Surgiu , então, o diagnóstico de psicose maníaco depressiva. Esta psicose tem um componente familiar observável e, em muitas experiências clínicas, incluindo a minha, as pessoas com este diagnóstico apresentam conflitos de culpa e dependência.

            Livro consultado: "Compêndio de Psiquiatria" de Kaplan e Sadock, 1993, Ed. Artes Médicas.

             Quanto ao termo "psicose", sugiro consultar a minha outra Home page, específica para tratamento das psicoses: www.lagosnet.com.br/clientes/juces/


Prezados amigos,

Atualmente encontro-me em fase inicial de aprendizado da psicanálise junto ao Instituto Freudiano de Psicanálise, aqui em Salvador. Como parte dessa formação, todos os alunos devem apresentar um trabalho sobre um tema de sua escolha, onde sejam abordados os assunto discutidos durante o período. Devido à minha formação, optei por discutir sobre o impacto da internet no comportamento social. Entretanto, devido à  novidade do tema, não tenho encontrado facilidade em elaborar um roteiro para o referido trabalho, razão pela qual  recorro aos senhores no sentido de me auxiliarem indicando fontes ou artigos que tenham identificação com o assunto.
Agradeço antecipadamente a atenção,

A. D.
Salvador - BA

Ângelo: V escolheu um tema muito interessante. Mas, v terá que especificar mais o que quer dizer com "comportamento social". Não tenho visto muitos livros sobre o tema, é tudo muito novo. Mas em Gilles Deleuze v pode encontrar fonte para refletir. Pierre Lévy tem dois livros importantes sobre o tema: "O que é o Virtual", e "As Tecnologias da Inteligência", ambos da Editora 34. Também Bill Gates e Nicholas Negroponte escrevem coisas sobre o tema.  Qual a sua formação?    Tenho pensado e discutido muito sobre este tema do seu trabalho, podemos conversar. Abraço   Julio