> Oi, Dr Júlio. Primeiramente te escrevo para parabenizá-lo
imensamente pelo seu site, gostei demais e fiquei impressionada com a clareza
e a atenção do Sr com as pessoas que necessitam ajuda. Meus
parabéns mesmo.
> Sou estudante de Psicologia, quarto ano, e estou há 1 ano trabalhando
como estagiária e fazendo acompanhamento terapêutico nos pacientes
de um Sanatório. Também faço parte da Diretoria Executiva
da Associação "Loucos pela Liberdade", que não sei
se o Sr já conhece, mas essa Associação nasceu da idéia
de reunir trabalhadores da Saúde Mental, usuários, familiares
e pessoas interessadas em participar da construção de uma
nova cultura, na qual seja possível a afirmação de
diferenças; nasceu a partir do movimento da luta antimanicomial e
se fundamenta na necessidade de transformar a atual cultura psiquiátrica
dominante, na qual, muitas vezes, "tratamento" é sinônimo de
violência. A Associação "Loucos pela Liberdade" pretende
contribuir na criação de condições concretas
e possibilidades reais do resgate da cidadania de todos os seres humanos.
Este projeto exige novas formas de pensar e olhar a loucura, a aproximação
entre normais e anormais e a discussão dessa diferença. Mas
ando angustiada pois toda vez que saio com eles, sinto que a sociedade assusta,
e já faz alguns dias que estava querendo fazer uma pesquisa sobre
o que as pessoas fariam para ajudar um paciente portador de distúrbio
mental, como reagiriam frente a um usuário de algum serviço
de Saúde Mental. E percebi no seu site o seu interesse com o "papel
do Profissional de Saúde Mental na transformação da
sociedade em suas ações profissionais e enquanto cidadão",
achei muito correlacionado com o que havia pensado. E gostaria de saber
do seu interesse em estar em contato comigo diante do meu interesse na pesquisa
com entrevistas a sociedade. Pois faria esse trabalho sozinha e gostaria
imensamente de um profissional da área em contato.
> Gostei muito do seu trabalho.
> Aguardo seu pronuncimento sobre o assunto.
> Atenciosamente.
> Luciane - Ribeirão Preto- SP
Resposta:
Luciane: Em primeiro lugar, obrigado.
>Tenho todo interesse em colaborar com a sua pesquisa.
> V diz que sai com usuarios e isso assusta a quem?
>E, veja, a luta pela aceitacao radical das diferencas e para decadas,
talvez seculos. Digo isso para animar e ter paciencia. E estamos sempre avancando.
E é mesmo no dia a dia que as coisas se decidem.
>Abraco
>Julio
>ps: posso colocar nosso dialogo na pagina?
Olá, Dr Júlio. É, as vezes quando saio com eles, exemplo
da última vez, fui em um bar conhecido da cidade, fizemos happy hour,
achei que não haveria problemas algum, e todos ficavam olhando demais,
achando horrores porque eu havia levado em um lugar público, me senti
muito mal... É percebo que a luta é de muitos anos e parece
que as coisas não andam, mas tenho sim uma imensa paciência que
nem sei de onde que vem tanta...
Vou fazer uma entrevista sobre a pesquisa que quero fazer e logo te encaminho
para o Sr dar um respaldo a respeito, certo?
Pode se sentir a vontade de colocar o diálogo na página.
Um abraço. Luciane
Olá Dr.júlio,
Como vão as coisas. Espero que tudo esteja no mínimo a contento.
Estou escrevendo para comunicar que aqui em M. inciou-se um grupo tarefa
para a implantação dos serviços substitutivos. Tenho
uma amiga (psiquiatra) que vai ser nomeada, ao menos é o que tudo
indica - coordenadora da área de assistência à saúde
mental no município, coordenação que foi proposta recentemente
no Fórum de luta do qual já lhe falei. Tomei a liberdade de
imprimir os seus artigos sobre o projeto de Macaé, as reuniões
e muitos outros mateirias que achei que seria um referencial importante
para as pessoas que estão envolvidas nessa tarefa. Sei que deveria
ter pedido permissão antes, mas meu horário anda complicado,
de maneira que só hoje consegui escrever para o senhor. Fico preocupada
de acontecer algum mal-estar, tenho imenso respeito pela produção
intelectual das pessoas e de manira nenhuma estou me apropriando seu discurso.
Muitos pontos do projeto de saúde emtnal de Macaé deram um
norte ao inicio do projeto daqui, porque de inicio, estava todo mundo perdido,
sem saber por onde começar.
Aguardo seu pronuncimento sobre o assunto.
Obrigada,
M.
Resposta:
M: Tudo o que esta na minha pagina pode e deve ser reproduzido a vontade.
E devemos, aqui, todos, nos sentir muito bem com isso.
Ja respondi ao seu email a respeito da orientacao da monografia.
Se v quiser divulgar algum texto, pode mandar que coloco na pagina.
Abraco
Julio
Ola Camila:
Sim, nosso trabalho faz a articulacao entre conceitos de psicanalise e
filosofia, Nietzsche, Deleuze e Guattari. Muitas outras pessoas estao trabalhando
nesse sentido. Nao ha contradicao. O que ha e que ou tiramos conceitos uteis
da psicanalise, articulando-os com outros saberes ou a historia nao andara.
O trabalho teorico e pratico é: o que da psicanalise podemos utilizar
numa perspectiva dos presocraticos, Espinoza, Nietzsche, Deleuze? O que
recusar? E que pratica saira disso?
Segue em anexo o trabalho e terei muito prazer em trocar comentarios com
v .
Aguardo sua comunicacao.
Abraco
Julio
ps: o trabalho tb esta no link da pagina www.saudemental.med.br
Dr.Júlio Cesar, meu nome é I. e acabo de me formar em Terapia
Ocupacional. Estou pretendendo fazer especialização em Saúde
Mental com o objetivo de trabalhar na prevenção, ou seja em
atenção primária a saúde mental, mais especificamente
com grupos de trabalhadores, visto que, as relações de trabalho
atuais têm gerado transtornos mentais aos mesmos.
Apesar de ter me explicado de forma simples, gostaria que o Dr. me desse
sua opinião a respeito do meu projeto de atuação e
se este caminho é o mais indicado para a minha formação
profissional.
Obrigada.
I:
Seu projeto é muito importante. A chamada Reforma Psiquiatrica esta
precisando desse profissional que v quer ser. V tem acompanhado a entrada
da Saude Mental no Programa de Saude da Familia? Onde vai fazer a especialização
em Saúde Mental ?
Abraco
Julio
Sou terapeuta ocupacional aqui de Curitiba, e trabalho na área de
saúde mental desde que me formei em 1992.
Já trabalhei em hospital psiquiátrico (um horror) e em NAPS
(durante 9 anos). Acho o trabalho de NAPS interessante, com resultados positivos.
Meu objetivo de lhe escrever, é esclarecer quanto ao serviço
de HOME CARE nesta área.
Por que á tão raro? Uma vez que este tipo de
intervenção, pode explorar áreas não desenvolvidas
em um tratamento em hospital-dia, por exemplo, aonde tenta-se dar uma atenção
individualizada, mas que muitas vezes não ocorre (principalmente
por poucos terapeutas ocupacionais contratados). Nossa área (TO),
é muito abrangente, e acabamos por assumir coisas demais numa instituição,
deixando a desejar, inclusive a própria qualidade do atendimento
mais individualizado ao cliente, prevalecendo trabalho grupal e grupos operativos,
que é interessante, mas em alguns momentos do tratamento, acredito
não ser o que mais beneficia o paciente.
Aí então, acho que se encaixaria um tratamento de home care
ou acompanhamento terapêutico, que poderia desenvolver outras habilidades
e capacidades, inclusive de maior inserção social.
É do seu conhecimento alguma pós-graduação
nesta área?
Agradecida por sua atenção,
A.
A.: Este trabalho de cuidados em casa esta engatinhando. Trabalho
com agentes comunitarios de saude ha seis anos e em 2001, em um dos municipios
onde coordeno o programa de saude mental , coloquei uma TO para dar assistencia
dentro da casa de uma familia, num projeto de expansao do atendimento
em casa. Esta dando bom resultado e pretendo ampliar isso em outro municipio.
A entrada da saude mental no programa de saude da familia ja esta recomendado
pela OMS e pelo Ministerio da Saude mas vejo que ainda nao e muito claro
para a maioria dos profissionais e tb para as instituicoes de formacao. Cabe
a v, ai, entrar nessa area. Veja, na secao de textos, as conclusoes de uma
oficina no Ministerio da Saude a respeito de Saude Mental no PSF. Abraco
Julio
To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Friday, July 27, 2001 11:20 AM
Subject: Luta Antimanicomial
Olá!
Meu nome é Karina, tenho 24 anos e moro em São Paulo,
gostaria de saber
como faço para entrar no Movimento da Luta Antimanicomial. Acho
um absurdo tudo que fazem com os pacientes.
por favor me responda
obrigada
karina
Resposta:
Ola Karina:
V pode entrar para o movimento antimanicomial de varias formas. Pode participar
das transformacoes da assistencia em saude mental, como profissional, ou
como cidada. Pode se ligar a grupos do movimento, divulgando e participando
dos encontros e manifestacaoes. Ou o que mais v inventar, no sentido de
mudar a realidade que ainda predomina.
Te mando emails para contato:
Secretaria Executiva Nacional Colegiada do Movimento da Luta Antimanicomial
1- antimanicomial@uol.com.br ou antimanicomial@ig.com.br
2- Laeuza Farias farias@sunnet.com.br
Qual a sua insercao no momento?
Abraco
Julio
To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Sunday, July 29, 2001 12:30 AM
Subject: Obrigada pela ajuda!
Olá Julio!!
Aqui é a Karina! Obrigada pela ajuda, eu já mandei
um email dizendo que gostaria de fazer parte do movimento. Bom, eu não
sou profissional da área, sou estudante da PUC, Letras Inglês
e leciono a mesma há 4 anos. Bom, mas como cidadã pensante
e indignada com certas coisas, tomei a liberdade de te mandar um email. Não
sabia da verdadeira realidade destes manicômios(só ouvia falar),
até que li o livro de Austregésilo Carrano, o qual me deixou
totalmente comovida e indignada, pensei e tive certeza de que poderia fazer
alguma coisa em relação a isso. Não sou rica nem influente,
mas tenho muita
vontade de ajudar e tenho certeza de que isso é o que importa.
Cheguei a escrever um email para o site do livro de CARRANO, mas ainda não
tive resposta (vc tem contato com ele?gostaria muito de conversar com ele).
Espero poder entrar no movimento e ajudar de alguma forma.
Muito Obrigada pela sua atenção!!
Karina
Resposta:
Karina: Nao sei o email do autor que v cita. Qual e o livro? Coloquei o
nosso dialogo na pagina de respostas. Se v permitir, deixo la seu email, para
quem quiser se comunicar.
Abraco
Julio
To: <saudemental@lagosnet.com.br>
Sent: Sunday, July 29, 2001 9:24 PM
Subject: Re: Obrigada pela ajuda!
Olá Julio!!
Bom, o livro do qual falei chama-se CANTO DOS MALDITOS (AustregésiloCarrano)
e inspirou o filme de Lais Bodanski "BICHO DE SETE CABEÇAS", que vale
a pena assistir!! Vc já viu?? Está em cartaz. Vc é de
São PAULO??
Trabalha em alguma instituição?? Vc pode dar o meu
email sim, não tem problema. Vc disse que colocou a nossa conversa
aonde?? Gostaria de ver!!
Abraços
Karina
Resposta:
Karina: Ainda nao vi o filme.
Moro em Macae, litoral do Estado do Rio. Trabalho em consultorio
e em Prefeituras, onde coordeno a Saude Mental de dois municipios. Nosso
dialogo est.a na secao "Perguntas e respostas, area tecnica" ( www.saudemental.med.br
)
Abraco
Olá, meu nome é V ,formada em Artes Visuais-(pintura), atualmente
cursando o último ano de Licenciatura em Artes Visuais, onde estou
desenvolvento um projeto de pesquisa em Arte e Saúde mental, área
em que venho atuando, voluntáriamente,há mais de 6 anos, como
orientadora de oficinas de artes. Comungo dos mesmos ideais da Luta Antimanicomial
e venho fazendo a minha contribuição neste sentido. A minha
pesquisa será realizada num Caps (onde estou atuando).Esta mesma
pesquisa de conclusão de curso será reelaborada para ingresso
no mestrado em arte terapia no próximo ano. Pergunta: Como os profissionais
clínicos estão vendo a contribuição da arte
neste contexto?
Em tempo, peço sugestões de bibliografias. Um abraço.
Resposta:
Vera: Prazer em receber seu email.
Gostaria de ter noticias do desenvolvimento do seu trabalho. Em que cidade
é realizado?
Vou responder a sua pergunta nao como psiquiatra clinico, pois tenho formacao
em psicanalise e uma visao critica da psiquiatria. Considero a arte como
uma parte integrante e fundamental de qualquer abordagem em saude mental.
Nao apenas um acessorio , como pensam alguns mais ortodoxos, ainda. V poderia
comparar essas diferentes formas de ver. Trabalho em coterapia com musicoterapeuta
e com Terapeuta Ocupacional e vejo os resultados.
Quanto a bibliografia, v deve ja ter visto Jung e Nise da Silveira, sem
nao é possivel. Na parte inicial da Historia da Loucura, do Foucault,
v encontra uma analise da mudanca na representacao da loucura na pintura
e na literatura. Muita coisa na obra de Deleuze tem a ver com as relacoes
entre loucura e arte, recorrendo a Artaud e outros.
Abraco
Julio
-
Original Message -----
From: A
To: saudemental@lagosnet.com.br
Sent: Friday, June 08, 2001 4:07 PM
Subject: Participação Comunitária e Cidadania
Caro Júlio:
Sou uma aluna do 2º ano de Desenvolvimento Comunitário e Saúde
Mental do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada) em Lisboa, Portugal.
Fiz um estágio numa AEIPS (Associação para o estudo
e integração psicossocial) e resultante desse estágio
estou a fazer um trabalho relacionado com o que vi e aprendi. Acontece que
dentro desse trabalho tenho de desenvolver os conceitos de Empowerment, Participação
Comunitária e Cidadania. O conceito Empowerment é relativamente
fácil de encontrar mas os de Participação Comunitária
e de Cidadania é que já não. Gostava de aprofundar
os meus conhecimentos sobre tais conceitos, quem os inventou, desenvolveu
etc., quais são as várias interpretações e aplicações.
Para tal gostaria, se lhe fosse possível, que me indicasse os sites
mais especializados no assunto e/ou, se não fosse pedir muito me explicasse
tais conceitos.
Desde já muito agradecida:
A
Resposta:
A: Muito prazer em receber seu email.
Os conceitos de cidadania e participacao comunitaria sao mesmo muito importantes
em Saude Mental. Por cidadania, entendo a consciencia do cidadao e dos grupos
humanos em relacao a seus direitos e deveres em relacao ao coletivo. Seja
esse coletivo a comunidade ao redor, a chamada "sociedade", ao poder publico,
o Estado.Ter a posse da propria cidadania representa poder ter os direitos
inerentes ao cidadao: direito de ter moradia, alimento, servicos de saude,
educacao, transporte. Direito ao trabalho. Direito de reuniao , de expressao
politica, de escolher seus dirigentes. Direito a tudo o que consta das declaracoes
mundiais de direitos humanos e da Constituicao do pais. E deveres: de zelar
pela comunidade, de respeitar o proximo, de contribuir para o bem comum,
de dar sua parcela de trabalho ou impostos para a organizacao da "polis".
Em saude mental, o desenvolvimento da cidadania e fundamental tanto para
a recuperacao psiquica de quem ja sofre quanto para a promocao da saude de
todos.
A participacao comunitaria corre paralela com a ideia de cidadania. Se
nao ha nocao de cidadania, a participacao comunitaria e minima ou nenhuma.
Ou se resume ao ritual quase esteril de votar de tanto em tanto tempo. A
incorporacao da nocao de cidadania leva a participacao comunitaria em seus
diversos niveis: da familia, do bairro, da cidade, dos grupos profissionias,
dos partidos, das ongs, do pais e do mundo. E tambem dos movimentos autonomos.
O isolamento social e a anomia sao fatores determinantes do sofrimento mental.
A participacao comunitaria, ao lado de fazer reverter fatores de sofrimento,
e basica em qualquer modo sadio de sociedade.
Aos profissionais de saude cabe articular dispositivos que proporcionem
o aparecimento da nocao de cidadania e o desenvolvimento da participacao
comunitaria nos varios niveis.
Quanto a bibliografia, v pode ver toda a corrente de transformacao institucional,
o movimento grupalista e , atualmente, a experiencia italiana.
Abraco
Julio
Assunto:
Dúvidas
Data:
Wed, 31 Jan 2001 18:02:03
-0200
Dr. Júlio César,
Sou professora da área de estatística e estou trabalhando
junto ao Departamento de Psicologia Experimental e do Trabalho da UNESP de
Assis. Atualmente, pretendo iniciar um projeto de pesquisa que visa efetuar
um levantamento estatístico para avaliar a eficiência do tratamento
dispensado pelos NAPS da cidade de São Paulo, quanto à reinserção
social dos usuários (e ou clientes).
No entanto a primeira dúvida que me está preocupando, no
momento, é a diferenciação entre CAPS, NAPS, Hospital-Dia
e outros serviços
alternativos, do gênero, caso existam, bem como as caracterizações
oficiais dos mesmos, como serviços públicos de saúde,
nas diferentes
regiões do país.
Quando elaborei o projeto, tinha conhecimento do funcionamento de um NAPS
da cidade de Curitiba cujo funcionamento tive a oportunidade
de acompanhar durante cinco meses.
Inicialmente, pensei em trabalhar na cidade de São Paulo, dado que
a mesma poderia fornecer uma base de dados estatisticamente significativa.
Quando fui tentar descobrir quais são os NAPS de São Paulo
me deparei com a existência de NAPS e CAPS.
Portanto, antes de prosseguir meu intento, preciso revisar meu projeto
em relação a vários aspectos, dentre os quais, a definição
dos diferentes
serviços desse gênero se torna imprescindível.
Através de uma mestranda da área de Comunicação
Social, tomei conhecimento deste eficiente serviço de informação
e debate sobre o tema
saúde mental que você está colocando à disposição
de leigos e especialistas, e assim sendo, solicito num primeiro momento sua
atenção para
esclarecer-me quanto a questão "da definição e caracterização
de NAPS, CAPS, Hospital-Dia e outros serviços do gênero que
possam existir".
Outrossim, gostaria de encomendar sua obra: Temas de Saúde Mental,
sendo que amanhã providenciarei o depósito em conta corrente.
Aguardando sua resposta, agradeço antecipadamente,
Barbara
Resposta:
Barbara: Muito prazer em receber seu email.
A diferenca entre CAPS e NAPS ficou sem importancia, agora. Quando o Ministerio
da Saude definiu estes servicos, Naps era uma estrutura maior. Mas agora
isso nao tem mais sentido. Hospital dia e um nome historico,
quando surgiram as primeiras propostas do que se chamavam "internacoes parciais".
Como todos estes termos sao muito medicos, e o que queremos agora e descaracterizar
as abordagens como sendo apenas medicas, passando para psicossocial,
nao faz mais sentido falar em hospital dia.
E muito importante investigar com pesquisas o poder de resolucao dos Caps,
as respostas de quem usa, o movimento que provoca, ou nao nas comunidades.
Gostaria muito de ler o que v vai escrever.
Para que v saiba quanto e que v tem que depositar, preciso saber
em que cidade v mora, para calcular o preco do sedex.
Abraco
Julio
Meios utilizados pela escola para melhorar a saúde mental
11 Oct 2000 21:04:35 -0300
Olá, meu nome é P , estou cursando o segundo ano de Pedagogia, e preciso montar um projeto de pesquisa com o tema Meios utilizados pela escola para melhorar a saúde mental. Ficaria agradecida se pudessem me ajudar. Obrigado.
Resposta:
P.: Prazer em receber seu email.
Sou suspeito para comentar a respeito de escola, pois tenho aversão
ao tipo de coisa dominante entre nós. Poucas são as propostas
de ensino que não sejam alienantes, entediantes, repressoras. Do modo
como está, a escola faz parte da maquinaria repressiva. Desconsidera
diferenças, obrigando a todos a um mesmo currículo, estimula
a competição e não a cooperação, massacra
a curiosidade, impõe programas que de nada servem aos alunos. Minha
proposta é a autogestão pedagógica. Pode-se dizer: utopia!
Concordo. Precisamos de utopias. Então, a escola atual não estimula
a saúde mental, pelo contrário. O que a escola poderia fazer
seria partir para um ensino que fosse autogerido e autogestado. V deve conhecer
Neil, o inglês de Summerhill. E lembro do filme do Pink Floyd , The
Wall: "teachers: leave the kids alone!".
V pode montar um projeto de pesquisa que tenha entrevistas com alunos,
de diversas séries, para ver o que sentem em relação
à escola. Com professores tb e com os pais.
Abraco
Julio
Olá, meu nome é Aline, estou cursando o 4o ano de Psicologia, e me interesso muito por essa área. Estou fazendo meu trabalho de conclusão de curso cujo o assunto é: Luta antimanicomial com a solução de Hospital-Dia.Gostaria muito de sua ajuda, me indicando bibliografias, endereços etc. Sem mais para o momento. Agradeço a atenção.
Resposta:
Aline: Prazer em receber seu email e saber do titulo da sua monografia.Acho
que v já viu na minha página ( seções de textos
e de respostas ) muita coisa a respeito. Tem projeto de CAPS, discussão sobre o seu funcionamento,
etc. Tem tb portarias do Ministério da Saúde sobre o assunto.
No meu livro tb tem muita coisa desta história da luta contra os
hospícios e suas alternativas.
No mais, te indico a obra de Franco Basaglia e a de Laing e Cooper, deste
ultimo, um clássico inevitavel: Psiquiatria e Antipsiquiatria. De
coisa nova, temos, alem do meu livro, "O Campo da Atencao Psicossocial",
varios autores, Editora Te Cora.
Se v puder, me mande seu trabalho para constar da página.
Abraço
Julio
Resposta:
L.: Prazer em receber seu email. Vai para a página, ok?
Os autores que v cita são muito importantes, mas quero te indicar
dois: um, histórico, Michel Foucault, com "A História da Loucura".
Sem este, não andamos no assunto.
Outro, atual e prático: Benedeto Saraceno, com " A Reabilitacao
Psicossocial" , Editora Te Cora.
Gostaria muito de ler seu trabalho e , se possivel, coloca-lo na página.
Abraco
Julio
Meu orientador pareceu não ter gostado muito do tema, ou por insegurança da parte dele, por não poder ajudar no meu trabalho, ou por jogar a culpa no meu trabalho q seria pobre em urbanismo.
Poxa, e está dando uma canseira mesmo, mas eu não vou
desistir. Precisaria saber a conceituação do meu tema e onde
iria implantá-lo em São Paulo. Um Centro
de Atenção Psicossocial seria de bom tamanho? Onde?
Em áreas residênciais, ou de fácil acesso, c/o nas proximidades
do metrô? Estou perdida pois ainda terei q levantar dados e nºs.
de Centros q atuam nessa
área. Gostaria de saber ser existe um lugar específico
p/ implantação de um Novo Programa
de Saúde Mental. O q puder me passar de referências,
eu agradeço desde já.
Um abraço,
L.
Resposta:
L.: Muito bom que mais uma pessoa da Arquitetura coloque o tema Saude
Mental/Arquitetura. Acho que v viu na seção Perguntas e Respostas
o meu diálogo com duas arquitetas a respeito.
Veja: acho que o seu professor atirou no que viu e acertou no que nao viu.
Nao sei dos motivos dele, mas não devemos mesmo perder tempo com
novos modelos de hospital psiquiátrico, porque um bom hospital psiquiátrico
é como a célebre
fórmula do círculo quadrado: pode tentar pra ver se consegue...
O que devemos e pensar em dispositvos de saude mental que leve-nos a cada
vez mais não precisar de internação psiquiátrica.
E os CAPS estão aí para serem desenvolvidos. Sobretudo
nas sua arquitetura, pois não existe nada definido a maioria dos
CAPS funciona em locais improvisados. Os CAPS devem ser mesmo em locais de
fácil acesso, no meio do movimento comum dos bairros. E devem ser externamente
como uma casa
qualquer. Dentro, penso em espaços amplos, para trabalhos grupais,
para encontros de grupos. Nada parecido com unidades de saúde e sim
um lugar para fazer coisas em grupos entre 10 e 30 pessoas.
Quanto a Programas de Saude Mental, felizmente em todo o país existem
muitos funcionando. Em Sao Paulo tem, em Santos é histórico.
Muita coisa para ver.
Abraco
Julio
Sun,
11 Jun 2000 23:07:21 -0300
From:
Julio
Cesar Silveira Gomes Pinto <saudemental@lagosnet.com.br>
A wrote:
> Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ e estou fazendo um
projeto
> de um Centro de Reabilitação Psíquica
. Preciso saber mais a respeito da
> esquizofrenia. Obrigada. A
Resp:
A.: Gostaria muito de trocar ideias com v. Estou implantando um Centro
que deve ser parecido com o seu e tb estamos discutindo a planta e o ambiente.
Mas, v me pede uma definicao que segue conceitos que podem nao ajudar muito.
Tenho
outra hp www.lagosnet.com.br/clientes/juces/
onde, na secao de perguntas e respostas, v pode ler sobre esquizofrenia.
Porem, o que acho mais importante e a historia dos locais onde as pessoas
com diagnosticos psiquiatricos foram
sendo colocadas ao longo do tempo. E em que espaco estamos nos propondo
a coloca-los agora, e com qual intencao.
Escreva.
abraco
Julio
Cont:
: esquizofrenia
Tue, 13 Jun 2000 19:33:00 EST
Júlio,
Fiquei super-feliz com a sua resposta. É exatamente o que você
falou. Já consegui algumas coisas sobre a esquizofrenia e realmente
muitos termos técnicos não me permitiram entender muitas coisas.
Mas o básico que eu pude captar é que a esquizofrenia possui
causas sociais e orgânicas. O que estou propondo para o meu trabalho
final de graduação é um centro de reabilitação
psíquica com base nas terapias ocupacionais. Então tudo aquilo
que você falou sobre o histórico dos centros psiquiátricos
me interessa muito, pois estou buscando criar um espaço como ponto
de apoio para essas pessoas. Se, de repente, você puder me indicar
alguma bibliografia a respeito desta questão histórica, vai
me ajudar muito.
Já estive visitando o Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho
de Dentro.
Também estive na Casa das Palmeiras, em Botafogo. Estou estudando
o trabalho da Dra. Nise da Silveira e visitando alguns terrenos em Santa Teresa
para a implantação do programa. Estou aguardando a sua resposta.
Obrigada. Abraço.
A.
L.: Muito prazer em receber seu email. Por coincidência, estou num
processo de construir um Centro de Atenção
Psicossocial e tenho que falar com a arquiteta a respeito da planta.
O que vai ser este seu Centro de Saúde Mental? É para atendimento
tipo consultas? Ou é um Centro de Atenção Psicossocial,
onde pessoas que antes estariam internadas em hospitais psiquiatricos passam
o dia?
Em primeiro lugar, retirar todo o aspecto "médico" do ambiente.
Nada de azulejos, a não ser nos locais próprios ( cozinha
e banheiro ). Ambientes para grupos devem prevalecer, como tb ambientes amplos
para atividades em conjunto.
Penso que a consulta individual deve cada vez menos ter espaço,
portanto, ênfase nos espacos para grupos.
Ambientes o mais parecido possivel com uma casa e onde nao haja a tipica
divisao entre "pacientes" e "funcionários". Plantas. Jardins.
A coisa ja se define pela sala de espera. ( Tive uma ma sensação
esta semana. Vi pessoas esperando em pé, numa recepção
de pronto socorro. O que é isso? Num momento em que mais precisamos
de apoio, esperar em pé? Diante de um balcão?)
A sala de espera deve tb ser um ambiente para grupos, com os locais para
sentar em forma de círculo e não do modo comum, em fila.
A Internação é
um dos grandes enganos da Humanidade. O que fazemos é organizar outras
formas de receber e tratar o sofrimento mental , que é familiar e
social. Estamos trabalhando muito com os Centros de Atenção
Psicossocial, que é o que se chamava antes de hospital-dia. Mas não
queremos que se pareca com um hospital nem no nome. São locais para
se passar o dia em convivência produtiva, grupal, comunitária.
Os espacos, aí, são fundamentais para estimular estas
vivencias.
( Tenho lido um urbanista frances que
fala muito de subjetividade: Paul Virilio
, v conhece? )
Me diga o que achou e vamos trocar idéias e, quem sabe, as plantas
destes locais.
Abraco Julio
K. C.V. B. wrote:
Sou aluna de Psicologia e estou fazendo um trabalho sobre três romances psicanalíticos sobre a esquizofrenia
e psicose. Os livros são: Nunca lhe prometi um jardim de rosas, A
vida íntima de uma esquizofrênica e O sapateiro. Gostaria de
enriquecer o meu trabalho com alguns filmes
sobre o assunto e gostaria de obter algumas sugestões, além
do filme Psicose. Agradeço se me enviar uma resposta.
Obrigada
Resposta:
K.: Muito interessante o que v esta fazendo. Gostaria muito que v me mandasse
o trabalho, para que eu o coloque na página.
Quanto aos filmes, vamos ver. Lembro, logo, de "The Wall", o desenho
animado do Pink Floyd, v já viu? Mais:
"O Vampiro de Dusseldorf".
"Um estranho no ninho".
Um excelente, de Win Wenders: "Paris, Texas."
Depois te mando mais, pois gosto muito de cinema.
Abraço Julio
K.
Mais um , muito bom e muito importante: "O Enigma de Kaspar Hauser", de
Verner Herzorg.
Outro: "As Loucuras do Rei George". Os dois tem em vídeo.
Abraço Julio
Sun, 09 Apr 2000 20:17:37
> Olá Dr.Júlio,
> Meu nome é Clarissa, sou de Curitiba, tenho 26 anos, e estou
no primeiro ano de Terapia Ocupacional, estou amando o curso. Já tinha
ouvido falar no curso, mas não sabia o que se fazia nele. É
o bicho esse curso, que dizer, o máximo.
Outro dia li uma xérox de um livro muito interessante, Chance para
uma Esquizofrênica, foi escrito por um Terapeuta Ocupacional, Rui
Chamone Jorge. Ótima leitura, adorei mesmo. Agora, estou com uma
xérox de Terapia Ocupacional e a Saúde Mental, texto de Nedra
Gillete. Tb gostei muito, acredito que seja muito cedo por decidir e
qual área queira atuar, mas estou desde já vendo as que me
interessa.
Bom, vou ficando por aqui.
Abraços,
Clarissa
Resp:
Prazer em receber seu email. Estou, há quase um ano, trabalhando
em coterapia com uma TO, com grupo de psicóticos e está
muito bom. Se v tiver algum texto que queira publicar na minha página,
pode mandar. Mando em anexo um trabalho meu, junto com um colega, para v
ver melhor o que faço. ( www.lagosnet.com.br/clientes/juces/ )
Abraco Julio
Estou reunindo informações sobre o assunto para fins de implantação de programa de tratamento a nível de ambulatório. Agradeço antecipadamente o envio material e outros dados.
G. Secretaria Municipal de Saúde P
G. Para que possamos trabalhar, e necessario que v diga qual servico pretende
oferecer, qual a realidade no momento, como e o atendimento, quais os problemas,
com que equipe v pode contar.
Abraço
Julio
Subject: Re: Implantação de Programas Municipais de Saúde
Mental
Date: Thu, 09 Mar 2000 21:24:13 -0300
G. wrote
Prezado Júlio,
O objetivo do programa que eu gostaria de implantar a nível
de município - e talvez até servir de referência para
a região - seria a de substituir a maioria
das internações hospitalares por um atendimento permanente
a nível de ambulatório. As internações
por problemas psiquiátricos estão mais ou menos em 25
por mês e o problema se agrava por que os hospitais de referência
estão a 150 km de distância. Atualmente nós temos
um médico psiquiatra que atende consultas eletivas, tres vezes por
semana, e faz acompanhamento dos casos, com prescrição de medicamentos
(mais ou menos 60 consultas/mês).
Para montar o projeto de acompanhamento ambulatorial nós temos,
no momento, 3 psicólogas, 1 assistente social, auxiliares de enfermagem,
1 farmacêutico, além do médico psiquiatra. Entendo que
a assistência deveria englobar também os casos de alcoolismo
e drogadição e que os familiares dos pacientes teriam que
ser, também, agentes ativos do processo.
Agradeço o interesse pelo nosso problema.
G
Ok G.: . Montar o ambulatorio é
correto, mas não é o bastante. O ambulatório é
necessário mas não suficiente para que um Programa Municipal
de Saúde Mental esteja indo bem. E o mais fácil, nas etapas
da montagem de um programa de saúde
mental é o ambulatório. Ele já esta funcionando? Fundamental
é que esta equipe se encontre regularmente para reuniões.
Os dados que v me deu me fazem perguntar por outros: quantos habitantes
tem seu município? Onde e como são atendidas as emêrgencias psiquiáricas? A Assistente Social tem um papel importante no
controle das idas e voltas do hospital psiquiatrico,
para que esta população seja conhecida e melhor tratada.
Qual a sua formação e função neste momento?
Veja se algum profissional pode realizar grupos
com estas pessoas.
Mande estes dados que te pedi e vamos ver o que acontece.
ps: não se lamente pelo Hospital Psiquiatrico ser longe...
ps2:vou colocar nosso diálogo na pagina, ok?
Abraco Julio
D.: Gostaria de saber sobre este conceito de aberração sexual,
que me ér estranho. Não existe este diagnóstico em
psiquiatra nem em psicanálise.Esta é uma expressão
do senso comum, cheia de preconceitos.
V tb pode ler Wilhelm Reich, que escreveu
muita coisa boa sobre sexualidade. Leia : "A Função
do Orgasmo" , " A Revolução Sexual" e "A Irrupção
da Moral Sexual Civilizada". Abraço Julio
Sou psicóloga formada
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e estou bastante interessada
nos estudos de casos principalmente por que li na página de vocês
que o referencial teórico é a esquizoanálise
, com a qual me identifico inteiramente. Gostaria de saber como e qunado
psso participar.
Por favor, aguardo resposta
C. T.
Subject: Re: discussão de casos
Date: Thu, 13 Jan 2000 23:50:11 -0200
From: Julio Cesar Silveira Gomes Pinto <saudemental@lagosnet.com.br>
To:
C.: Prazer em receber seu email. Podemos combinar formas de trabalhar.
V manda inicialmente o que v quer discutir e vemos como podemos fazer. Os
modos que temos são o email e o chat online. Abraco Julio
As práticas em andamento do psicólogo e deste com a equipe multiprofissional. : nos livros citados acima e em teses.
Processo de desospitalização e a desinstitucionalização.: idem e no MS.
Sistema de organização do SUS
: Existe uma apostila que e util para concursos, da Degrau, onde v encontra
normas do SUS e seu funcionamento.
Tambem na publicacao do COSEMS-RJ, 1999: Construindo o SUS no Estado do
Rio de Janeiro.
Princípios de epidemologia em saúde mental. : FIOCRUZ e um autor bahiano: Naomar de Almeida.
Diretrizes do atual modelo de atençào à saúde mental.: Normas do MS e Programas Municipais de Saude Mental.
Abraço Julio
Sou médica clínica e homeopata, e trabalho em uma cidade pequena onde o índice de doença mental é muito elevado e os pacientes passam esporadicamente por psiquiatra e tem que ser acompanhados no posto de saúde da cidade devido às dificuldades.
Gostaria deimformações sobre cursos de pós Graduação em psiquiatria latu sensum, pois não posso parar toda minha clínica para fazer residência e ao mesmo tempo necessito saber mais psquiatria , pois me sinto muito perdida frente determinadas situações
Desde já agradeço atenção.T.: Prazer em receber seu email. A questão que v coloca é muito importante. V pode ver em Universidades o que está sendo oferecido de pós graduação, mas o que conheço são as Residâncias em Psiquiatria. V pode aprender Psiquiatria para seu uso como Clínica nos livros de Clínica Médica ( o que tem no Cecil é razoavel, apesar de apenas organicista ), ou no "Compêndio de Psiquiatria, de Kaplan e Sadock". Mas acho que o principal não é isso. Pelo que entendi, v atua como Clínica em Posto de Saude. E é aí que v precisa atender pessoas com problemas mentais. V precisa participar de uma rede organizada de Saude Mental, fazer parte de um Programa de Saúde Mental organizado pela Secretaria Municipal de Saude do seu Municipio. Nestes Programas de Saude Mental, que definem o papel de cada profissional na rede, o trabalho do Médico Clínico é muito importante, porque ele fica mais em contato com a comunidade. Os Programas de Saúde Mental tem como uma de suas funções treinar os Clínicos e supervisiona-los para que desempenhem suas atividades com as pessoas que necessitam. Desta forma, o Clínico participa de uma rede de referencia e contrareferencia e o sistema fica organizado, com seus profissionais sabendo o que todos estão fazendo.
T
obs: coloquei na pagina este nosso dialogo, com seu nome abreviado. Se
v permitir, colocarei a sequência e seu nome todo. Abraço
Julio
É preciso ter algum conhecimento clínico para ler Freud?? Qualquer pessoa
pode ler e compreendê-lo ??
Por exemplo:
O livro Interpretações dos Sonhos
é valido para qualquer um??
Obrigado pela atenção
Resposta:
Alberto: Ler Freud e um grande prazer. Principalmente se você tiver
paciência.
Ele não ganhou prêmios científicos na época,
mas sim literarios. Portanto,
já te respondi, em parte. Não é necessário
ter conhecimento clínico. Basta
ter curiosidade a respeito dos mistérios do Homem. A Interpretação
dos
Sonhos é um grande livro para se ler sem compromisso clínico,
mas há outros
também. Recomendo: "Sobre a Transitoriedade", "Os Delírios
e os Sonhos na
Gradiva de Jansen". Os textos sobre psicologia coletiva ( Moisés
e o
Monoteísmo, Psicologia das Massas e Análise do Ego",
por exemplo ). Portanto, aproveite!
Abraço Julio
Como você mesmo cita, Freud promoveu uma terapia do falar. Seu trabalho
com a histeria era baseado na indução do paciente a lembrar-se
de seus traumas. Sobre isso, uma professora minha faz uma crítica
em tom de brincadeira, que simplifica o trabalho e a teoria de Freud. Ela
diz que uma situação com uma paciente poderia ser resumida
em:
(Freud colocando a mão na testa da paciente) Lembra!
(paciente) Não lembro.
(Freud) Lembra!
(paciente) Não lembro.
(Freud) Lembra!
(paciente) Lembrei! Oh, obrigada doutor, estou curada!
É uma brincadeira, mas com uma intensa crítica. O que você pensa disso?
Mais de uma vez ouvi a "teoria"(não sei ao certo que nome dar a
isso) de que se uma pessoa na família adoece (e aqui me refiro as
chamadas doenças mentais), isso é reflexo de uma família
doente. Eu entendo isso quando aplicado a drogadicção, mas
a estados psicóticos... Não sei, o que você acha?
Da mesma forma, me assustou um bocado, a teoria winnicottiana de que as
psicoses são causadas por severas quebras de continuidade na relação
mãe-bebê, e portanto na vida do bebê enquanto este ainda
não tem noção de objeto, durante os primeiros estágios
de vida. Ou seja, depois disso nada pode ser feito, pois as marcas no Self
são indeléveis...
De maneira geral acho essa teoria pouco humanista, ou seja, onde fica a
crença de que as coisas podem se modificar?
Por outro lado, as diferentes teorias são tão diferentes
que me sinto uma fiel buscando uma religião. Todas tem uma lógica
interna para explicar o que acham que lhe cabe, porém não se
pode aceitar todas, ou você ACREDITA mais em uma ou em outra... É
tudo uma questão de credo então?
Seu trabalho é muito rico, me suscitando vários pensamentos,
nem sempre exatamente no tema, como você deve ter percebido. Mas pelo
que entendi ele foi escrito para profissionais formados, ou seja, eu, em
formação pude absorver pouco dele. Há vários
tópicos que você aborda que são interessantíssimos,
mas você passa por eles tão depressa que não consegui
perceber a relação deles com o assunto, e tampouco entender
a maioria deles.
Um exemplo que poderia citar sobre isso é a "Alienação
social", que não estou certa se consegui associar com o tema da maneira
que você o fez. Me senti como se estivesse realmente faltando ler
toda sua bibliografia, citada e não citada no texto, para acompanhar
seu passo.
Bom, outros tantos pensamentos já me vieram à mente, mas vamos como Jack, por partes.
Abraço
Clara.
Resposta:
Clara: O que vale escrever um texto é receber comentários
como o seu.
Quanto a brincadeira da professora,
no próprio texto eu critico esta norma da psicanálise de que
tudo tem que passar pela fala. O inconsciente pode ser colocado para produzir
criativamente sem intervenção da palavra.
Família e psicose: O que vemos
é que são muitas as teorias a respeito da psicose, muitas
discordantes entre si e nenhuma certeza. Retifico a expressão "doença".
Não gosto deste termo para qualificar o que chamamos "psicose". Este
conceito de doença mental tem seu inicio histórico, que tb
traço no texto. Obedece a interesses de controle. Então, de
nada vale dizer que a família é que é doente, não
muda nada e culpabiliza as familias.Mas existem mesmo padrões de
relacionamento perturbados. E quanto aos drogaditos, a mesma coisa. Pq,
desta forma, culpando a família, a sociedade atual, alienante e que
não fornece perspectivas à maioria, fica inocentada. O termo
alienação é da sociologia e de Marx. Neste, pelo que
entendo , a alienação começa quando quem produz não
pode gerir os meios de produção e não define o que
vai ser feito do produto e do que este rende. Em situações
de alienação, os desviantes são mais combatidos, vide
internação psiquiátrica, pois denunciam, com seu desvio,
todo o sistema.
Meu texto é mesmo uma provocação
para o estudo. Sei que o caminho é longo e deve ser múltiplo,
mas esta é a graça da coisa. A bibliografia do texto é
um convite ao estudo.
Sei que muitas organizações
de estudo e correntes de pensamento psi são mesmo idênticas
a seitas. Perfeito. Temos que sair disso e praticar: estudar tudo o
que for possível e questionar tudo.
Winnicott, como outros autores, é
muito interessante. São úteis as descobertas dele, bem como
as teorias sobre família, como comentei antes. Mas nada pode ser
reduzido a uma "causa", em saúde mental. E ele não é
tão pessimista assim, sua terapia se baseia na repetição
na transferencia do que faltou na infância e na tentativa de recuperar
isso.
Vamos por partes, mas continue.
Abraço a v e a todos da lista.
Julio
eGroups.com home: http://www.egroups.com/group/psicose
http://www.egroups.com
Assunto: projeto saúde mental!!!!
Data: Domingo, 29 de Agosto de 1999 15:32
Oi Julio, que bom que a resposta foi imediata.
Desculpe se as perguntas não foram específicas vou tentar
explicar melhor
o.k.?
O meu projeto está voltado para reorganização dos
serviços de saúde mental
municipais.
Irei apresentar no final do ano para uma banca na própria faculdade.
Gostaria de saber como vocês se organizam para prestar os serviços
que
oferecem?Como administram?
Conhecem as cooperativas, tipo plano de saúde? O que acham sobre
isto?
Como a saúde mental é tratada frente ao sus, pas e os planos
de saúde?
Agradeço pela atenção e aguardo ansiosamente alguma
resposta.
Abraço,
D.
Resposta:
D. : A saúde mental não vem sendo bem tratada por nenhum
plano, nem
pelo SUS. Mas um grande movimento de profissionais leva adiante, no Brasil
e em outros países, formas bastante interessantes de oferecer tratamento
publico e particular.
Mas , se eu for responder a todas as suas perguntas, levara o tempo
que v
vai levar para fazer o trabalho. O que v me pede é muito no âmbito
de
simples emails.
Se v quiser, podemos ver formas mais prolongadas de trabalhar aqui.
V tb pode obter estes dados no município onde v trabalha. Mas se
v quer
apresentar uma proposta sua, vai ter que ver de perto como se faz.
Abraço
Julio
Julio, queria uma idéia de organização do serviço
que oferecem, não
querendo insistir mas acho que não levará tanto tempo assim
para me ajudar
se quiser dou o meu endereço e me manda pelo correio.
É importante a participação de vocês, tenho
alguns dados sobre o conselho
regional de psicologia, sobre sociedade de psicanálise,mas isso
é pouco
perto dos dados que preciso compor para concluir o meu trabalho.
Como podemos fazer para receber sua ajuda???
Agora, não necessariamente terei que ver de perto como a coisa é
feita,
pois tem um estudo de caso que relato no meu projeto que é feito
nos
Estados Unidos.
Me ajude!!!Não precisa responder detalhadamente.
Abraço D
Resposta:
D: Os programas de saúde mental são organizados em níveis.
Existe o
nível mais básico que são os postos de saúde,
que devem ter equipes
treinadas para identificar e encaminhar os pacientes, além de fazer
trabalhos em grupo, preventivos, e tratar o alcoolismo. No outro nível,
estão os ambulatórios multidisciplinares especializados,
para o atendimento
geral. Depois, a emergência psiquiatria em hospital geral. Temos
os Centros
de Atenção Psicossocial, para convivência diária
de psicóticos graves. Por
último, evitando seu uso o máximo que for possível
sem colocar em risco as
pessoas, existe a internação psiquiátrica em clínicas
e hospitais
psiquiátricos. O esquema é esse. Em que cidade v está?
Julio
Oi Julio, em primeiro quero agradecer por dar continuidade no assunto
pensei que fosse me escrever para procurar melhor o assunto em uma
biblioteca qualquer ou com meus professores da faculdade.
Eu moro no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa!!!Conhece? E você,
mora
aonde?
Hoje fui entrevistar um psicólogo que trabalha com pacientes com
dependências químicas, é uma instituição
voltada somente para este tratamento, super interessante.
Estou desenvolvendo um capítulo sobre a Reforma da Saúde que por sinal a
cada dia torna um agravante para a sociedade.Uma das alternativas ao atual
modelo de saúde pública no Brasil é uma parceria com
o sistema privado,
terceirizando o atendimento municipal e tendo como efeito uma ampliação
no
mercado privado de saúde.
No seu ponto de vista como acha que a saúde mental é tratada
com relação ao
SUS(Sistema único de Saúde); ao PAS(Plano de atendimento
a saúde) e aos
planos de saúde?Vocês trabalham com planos de saúde?O
que acha a respeito
disto?
Você deve estar se questionando nossa essa D. faz uma pergunta
atrás
da outra que chata!!!Mas se puder
ajudar agradeço mais uma vez.
Abraço, e aguardo notícias...
D.
28/8/99
Caro Júlio, Meu nome é R., faço psicologia e estou
pesquisando sobre a relação entre o fenômeno urbano e a saúde mental.
Do ponto de vista da psicanálise, como posso fazer uma associação
do adoecimento do indivíduo com o ritmo que os grandes centros urbanos
nos impõe? Existe uma relação direta das neuroses com
a cidade grande? Qual sua opinião? Onde mais posso pesquisar
sobre este assunto? Sua HP é de extrema importância para os profissionais
e estudantes da área de saúde, é um canal de comunicação
fundamental. Já divulguei seu trabalho com psicóticos junto
aos professores na minha faculdade e pretendo ( talvez seja muita pretensão)
desenvolver um projeto com crianças psicótica e autistas com
musicoterapia, estou aguardando a resposta do Paulo (musicoterapeuta) conforme
sua resposta para e-mail que já enviei. Obrigado pela sua atenção!
Abraço, R.
Resposta:
R.: Existem estudos clássicos sobre adoecimento mental e áreas
urbanas. Roger Bastide é um autor fonte
importante. Quem trabalha isso é a sociologia e a antropologia. Mais
recentemente, um urbanista francês, Paul Virilio
, tem escrito coisas muito interessantes sobre a relação entre
o espaço urbano e a subjetividade. "O Espaço Critico" é
um desses livros dele. Ele trabalha muito a questão do controle.
No meu modo de ver, talvez o que determine a neutotizacao não seja
o fato de se é urbana ou rural a área em questão, mas
o tipo de relação social que está estabelecida entre
os cidadãos e entre eles e os meios de participação
nas decisões. Veja a Sinopse do "Espaço Critico", a venda na
Booknet:
"Na obra, o autor parte da arquitetura e das políticas urbanas para
investigar o efeito sobre nossa consciência Ética de um mundo
que se organiza cada vez mais em função deimagens e da
comunicação.
Abraço Julio
Caro Julio
Sou estudante de Saúde Pública e gostaria de saber mais a respeito das formas substitutivas ao modelo manicomial como CAPS/NAPS , hospitais -dia, etc. Quais as formas de seleção para estes espaços como o NAPS por exemplo, ele pode ser realizado apenas pelo diagnóstico? Quem pode e quem não pode se beneficiar com estes serviços? Gostaria de saber também sobre suas diretrizes e normas para funcionamento.
Agradeço antecipadamente! B
Resposta::
Os CAPS surgiram para proporcionar
um espaco de acolhimento para pessoas com que anteriormente seriam internadas
em hospícios. São locais que oferecem oficinas terapêuticas,
com diversos profissionais de saúde mental e instrutores ( teatro,
música, artes em geral ) e onde o exercício do convivio com
a diferenca é tentado de modo o mais radical que a equipe
suporta. A seleção é de pessoas chamadas "psicóticas".
Na minha outra HP tem mais coisas sobre Caps
( www.lagosnet.com.br/clientes/juces/ ) . V estuda Saude Publica aonde?
Em que nível? Abraço Julio
Olá Julio!!
Achei muito interessante sua home page, tenho interesse
pelo seu trabalho com grupos de psicóticos e ficaria muito grata em
recebê-lo.
Bom, te respondendo estudo saúde pública
na UPE e estou no 2 ano desenvolvendo minha monografia em saúde mental
por isso o interesse nesta área. Contudo estou tendo dificuldades
em encontrar bibliografia como fonte para dar fundamento ao trabalho mais
especificamente sobre os NAPS/CAP, Hospital-dia, etc.. A seleção
para estes espaços ainda não é muito clara
para mim, pois nem todos os ditos "psicóticos" tem condições
para integrar nestes serviços e alguns dianósticos são
considerados inadequados. Assim sendo, queria ter maiores esclarecimentos
a respeito do assunto.
Um abraço B
Resposta:
B: Existe um livro, mas que não está aqui comigo, cujo autor
se chama Jairo, que trata de CAPS. Não tenho como ver o nome do livro
agora, infelizmente.
V está muito preocupado com diagnóstico, o que a meu ver
não é bom. Não se esqueca que diagnósticos são
conceitos mutáveis ao longo da história. O que era possessão
demoníaca virou santidade e depois loucura e por aí vai. Cada
época classifica os seres diferentes de acordo com a sua necessidade.
Freqüentam os CAPS, no momento em que vivemos, aquelas pessoas que
atualmente são tidas como "psicóticos graves". Segue em anexo
a íntegra do trabalho.
Nota: Vou escrever um projeto para criar um CAPS aqui onde trabalho.
Continuo sem saber que curso v faz. O que é? Abraço
Julio
SOU ESTUDANTE DE SERVIÇO SOCIAL E GOSTARIA DE OBTER MAIORES INFORMAÇÕES A RESPEITO DE SAÜDE MENTAL E SERVIÇO SOCIAL PARA REALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS NA CADEIRA DE SAÜDE MENTAL E PSICOPATOLOGIA .
DESDE JÁ AGRADEÇO, NO AGUARDO DE UMA BREVE RESPOSTA
E. O.
Resposta:
E.: A sua pergunta e muito ampla. O que v precisa, mais especificamente?
Julio
SAO PAULO, 13 DE JULHO DE 1999
PRIMEIRAMENTE, AGRADEÇO PELA ATENCAO. QUANTO À
PERGUNTA, PRECISO DE MAIS INFORMAÇÕES A RESPEITO DE:
- PREVENÇÃO DE PSICOPATOLOGIAS.
- COMO O ASSISTENTE SOCIAL PODE TRABALHAR ESTA QUESTÃO?
- QUAL A RELAÇÃO QUE PODEMOS ESTABELECER
ENTRE SAÜDE MENTAL E A SOCIEDADE?
ESPERO QUE TENHA DELIMITADO O SUFICIENTE. DESDE DE JÁ
AGRADEÇO
E. O
.
Resposta:
E.: A área de prevenção em Saúde Mental é
cheia de perigos, por causa de uma tendência a tornarmo-nos controladores
de comportamento. Ja aconteceram trabalhos assim , o que é lamentável.
Para prevenir psicopatologias, muitas coisas precisam ser realizadas.De
inicio, v terá que delimitar as patologias claramente orgânicas,
como os retardos mentais, por exemplo, que podem ser evitados com bom prenatal,
bom parto e boas condições na infância, das outras "psicopatologias",
que não tem clara origem orgânica, pelo contrario. Estão
no último caso as psicoses e as neuroses. Nestes últimos casos,
acredito que uma sociedade igualitaria, onde exista pleno desenvolvimento
do potencial humano, com oportunidades iguais para todos , justiça
social e paz, seria o ideal para prevenir psicopatologia.Devemos trabalhar
neste sentido, portanto. V pode ver o livro de Wilhelm
Reich, "A Irrupção da Moral Sexual Civilizada", que
iliustra bem o que digo. Como v vê pela minha resposta, penso que a
relação entre Saude Mental e Sociedade é completa.
Abraço
Julio
Somos grupo de estudo na cidade de Novo Hamburgo,preocupados em realizar uma atividade de esclarecimentos e estudos junto aos professores que vem encontrando em suas salas de aula dificuldade em atuar junto ao aluno "diferente".A área da saúde mental é bastante enfatizada em nossa comunidade,bem como,há um trabalho comunitário em saúde mental.Gostaríamos de receber maiores informações desta temática.Agradecida,U..
U., por favor, esclareca o que v quer. O assunto é muito interessante
e já trabalhei o tema usando o lindo filme de Werner Herzorg, "O Enigma
de Kaspar Hauser", disponivel em video. Mas diga o que v quer que eu informe.
Abraço Julio
JÚLIO,
MUITO OBRIGADA MAIS UMA VEZ PELA ATENÇÃO.
GOSTARIA DE SABER COMO
CONSEGUIR SEU TRABALHO SOBRE ABSTINÊNCIAS
ALCOÓLICAS E, TAMBÉM SEU LIVRO,
ANDEI DANDO UMA PASSEADA PELA SUA HOME PAGE NOVAMENTE E
ACHEI OS TEMAS DO LIVRO SUPER INTERESSANTES! AONDE POSSO COMPRA- LO?
ABRAÇOS, MARLUCE
Marluce: O trabalho sobre alcoolismo segue em anexo a este email.
O livro, v pode comprar comigo direto, por deposito bancário. Chega
pela Vaspex. Tb. tem nas Lojas Siciliano e na Siciliano Virtual. Abraço
Julio
Gostaria de saber como posso participar das discussões sobre saúde
mental. Sou enfermeira, moro em Fortaleza - CE, e atualmente estou
fazendo mestrado em saúde comunitária e pretendo desenvolver
minha pesquisa no referencial da análise institucional e esquizoanálise.
Se puder obter contribuições através do seu endereço
será ótimo.
obs: tenho o icq instalado.
Li ra
Resposta:
L.: Podemos nos comunicar por email, ou, se v quiser, por ICQ ou
mIRC ( prefiro este ). Analise institucional e esquizoanálise é
do que gosto e são as linhas do meu livro. Escreva Abraço
Julio
Assunto: Re: discussões sobre saúde mental
Data: Quarta-feira, 7 de Julho de 1999 14:47
Oi Júlio,
Foi um prazer receber sua resposta. Gosto muito de saúde
mental e no momento estou muito empolgada com o assunto da esquizo-análise.
Você disse que está trabalhando nessa área e que tem
um livro. Eu gostaria muito de poder lê-lo.
Se você quiser, posso te enviar meu projeto, quem sabe você
não me dá umas dicas? Também adoraria se vc me mandasse
referências de livros sobre análise institucional ou esquizo-análise.
Até agora só li o Compendio de Análise Institucional
(Baremblitt), alguns números da revista saúde loucura e um
volume dos cadernos de subjetividade. Sobre esquizo-análise
gostaria de ler algo mais introdutório pois ainda não domino
o assunto.
Você disse que poderíamos nos comunicar através
de icq mas não tenho seu número e quanto ao Mirc eu nunca usei
e não sei como acessá-lo, talvez vc possa me ajudar.
Como vc pode ver preciso muito de ajuda, não é? :)
Espero que possamos trocar muitas idéias e conversar bastante.
um abraço
Li ra
Resposta:
L: O meu livro esta à venda na minha pagina, e só mandar
dizer sua cidade e ele chega aí pela Vaspex. Custa 28 reais
mais metade do preco do frete.
Gostaria muito de receber seu projeto.
V não escapará de ler "O Anti Edipo
", que é o marco da esquizoanálise.
Comece logo, pq não é muito fácil. Depois falamos
mais de bibliografia.
Instale o mIRC e vamos ver como comecar. E manda seu numero de ICQ ( o
meu é... ). Qual seu apelido?
Um abraço Julio
Assunto: discussões sobre saúde mental
Data: Quinta-feira, 8 de Julho de 1999 19:44
Oi Júlio,
Vou procurar o seu livro ainda hoje. Quanto ao meu projeto, acho
que devo primeiro fazer alguns ajustes antes de enviá-lo a você,
mas acho que vai ser muito bom poder contar com sua ajuda.
Meu icq é ICQ.. e meu nick é ..... Vou adicionar
você assim que puder.Quanto ao mIRC: aqui na faculdade tem instalado
mas ainda não sei como usar. Como fico sabendo o horário em
que você vai estar on-line? Acho mais fácil pelo icq.
Vou procurar o Anti-édipo logo, já desconfiava que
ia ser fundamental para meu projeto. Obrigado pelas dicas e fico esperando
mais notícias.
Um abraço
Li ra
Ok, Lia, em breve combinaremos horario. Geralmente posso depois do almoço
( fins de semana )e à noite tb, nos domingos.
Julio
Assunto: discussões sobre saúde mental
Data: Sexta-feira, 9 de Julho de 1999 20:55
oi julio,
geralmente eu entro por volta das 18:00 ou depois do meio-dia mas
se você me disser seu horário, posso tentar encontrá-lo.abraços
li ra
Resp:
Podemos mardar hora para falar no mIRC, o que teremos que fazer tb para
o ICQ. Ja autorizei, no ICQ. Vamos nos falar. Julio
Estamos implantando um serviço novo em parceria com a prefeitura
municipal
e o estado do Mato Grosso, porém somos um serviço pioneiro
e não temos
referencial, gostaria de algumas orientações.
Rondonópolis- MT
Resp:
Ok, Luciani.Mande suas duvidas e descreva o que vs vão fazer. Abraço
Julio
Assunto: LEITOS PSIQUIATRICOS
Data: Sábado, 26 de Junho de 1999 16:36
Oi Júlio,
Sou Assistente Social em um Hospital Geral
no sertão da Bahia, gostaria de saber se existe alguma
lei que obrigue os Hospitais Gerais a disporem de leitos para pacientes psiquiátricos,
e, se existe como posso adquirir uma cópia da mesma.
Grata,
M.
Assistente Social
Resposta:
Oi Marluce. Nao há lei que obrigue. O que existe é
uma lei que impede o credenciamento de novos leitos
psiquiatricos e , quando do fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos,
eles podem ser repostos em Hospitais Gerais. Mas pq v está interessada
nisso? O que v faz por ai? Abraço
Julio
Assunto: PORQUE MEU INTERESSE EM LEITOS PSIQUIÁTRICOS
Data: Quinta-feira, 1 de Julho de 1999 20:06
Oi Júlio,
Agradeço muito sua resposta à minha dúvida quanto
a leitos psiquiátricos em Hospitais Gerais
. Eu trabalho num Hospital Geral do Estado em I. Ba; aqui nós temos
um ambulatório de saúde mental do qual faço parte como
Assistente Social. Existe um único Psiquiatra
que atende um turno à uma população de pacientes de
uma região imensa, o único serviço de psiquiatria mais
próximo fica a 385 km, em Feira de Santana. Acontece que é
comum o psiquiatra atender pacientes em surto psicótico e o hospital
recusar o internamento por tratar-se de doentes mentais então encaminha-se
para Salvador que fica a 500 km daqui, com isso paciente perde o contato
com a família que nao tem condiçoes financeiras p/ acompanhá-lo
e quando retorna geralmente adquire vícios que antes nao tinha, como
cigarro ...
Nós temos agora um caso interessantíssimo de
duas gêmeas de 21 anos de idade que entraram em surto juntas pela segunda
vez, elas dizem ser uma só e nao precisar de nada do mundo externo
para viver, é incrível como elas respondem as perguntas ao
mesmo tempo como se fossem uma só pessoa... estas, estao internadas
porque um radialista local pediu ao diretor do hospital p/ "hospedarem "
as mesmas pois a mae recusa-se a levá-las p/ hospital psiquiátrico.Como
podemos ajudá-las a nivel de ambulatório?
Grata,
M.
Resposta:
M.: Muito interessante o trabalho de vs. Vs têm que treinar a equipe do Hospital Geral para atender,
por pelo menos 3 dias, aos casos de Emergência
Psiquiátrica . E isto não se faz à fôrça
, tem que haver muita paciência. Tenho feito isso por aqui, com resultados
que variam de acordo com a possível aliança que se faz com
médicos e enfermeiros. A emêrgencia psiquiátrica em hospital
geral é o que se recomenda agora. Vs tem a chance de, por pressão
da falta de recursos, montar uma Saúde Mental
Comunitária aí. Veja se dá para trabalhar
com Agentes de Saúde. Mas, o mais
imediato me parece ser o treinamento dos clínicos da emêrgencia.
Não sei se te mandei trabalhos meus. Mas tem um aqui sobre tratamento
de abstinências alcoólicas,
para atender em pronto socorro, que posso mandar. Abraço Julio
Júlio,
Me chamo I. S., estou formando em psicologia em julho 99 e gostaria de
maiores informações sobre a possível
conjunção entre a teoria psicanalítica e a filosofia
de Deleuze e Guattari. Tenho desenvolvido alguns textos nestas
duas áreas mas separadamente por se tratarem de proposições
de fato opostas. Gostaria de saber se concorda com esta afirmação
e, se possível, de ter acesso aos seus trabalhos desenvolvidos na
tentativa de aproximar essas duas correntes do pensamento moderno.
Abraço, I
Resposta:
Muito prazer em receber seu email. Os conceitos não são opostos,
se nós resolvemos jogar com eles e fazer uso deles como for útil
para nós. Esta é uma das proposições do Deleuze,
que gosto muito. A melhor forma de ver como trabalho os conceitos seria
comprar meu livro, mas esta sugestao é meio suspeita. Alem de na
minha pagina, v pode encontra-lo nas livrarias Siciliano e na siciliano
virtual ( www.siciliano.com.br ). Mas vou te mandar um trabalho (
Terapia Grupal Interdisciplinar de Psicóticos), em coautoria com
um colega, e que faz parte do livro, que mostra a minha crítica e
minha articulação de conceitos. Aguardo comentários.
Abraço Julio
Assunto: psicose maniaco depressiva
Data: Domingo, 20 de Junho de 1999 20:57
Prezados amigos
Gostaria de saber sobre transtorno bipolar ( psicose maniaco depressiva).
Sou estudante de psicologia e estou desenvolvendo esse
trabalho para a equipe de genética.
Se puderem me mandar algum caso como exemplo ou alguma
materia para poder complemetar meu trabalho, agradeço desde já.
Muito Obrigada
C.
Resposta:
Oi C.: Este diagnóstico e muito comum. Existem características
muito parecidas entre as pessoas com este diagnóstico. O "problema"
começa mais tarde do que a esquizofrenia, isto é, por volta
dos 30 anos. Podem existir episódios maníacos
( euforia, agitação, idéias de grandeza, libido aumentada,
etc) , ou uma alternância de episódios maníacos e outros
depressivos ( tristeza, anedonia, lentidão,
insônia terminal, idéias de ruína, etc). Há uma
maior incidência deste diagnóstico em famílias que já
têm outras pessoas assim. O que não prova que a "causa" seja
genética. Trata-se com medicação
e psicoterapia. O que tenho visto, é que as pessoas com este
diagnóstico têm um conflito superegóico
, sempre. E, como disse um cliente meu, "o problema é entre o prazer
e o dever". Acho perfeita esta definição. Famílias repressoras
do prazer geram estas pessoas, que acumulam obediências até
que explodem em alegria fora do comum ou caem na depressão. Um livro
muito bom é "Terapia Intensiva dos maníacos depressivos",
de Frieda Fromm Reichman.É antigo, tem que procurar em bibliotecas.
Se quiser, pergunte mais. Abraço. Julio
Saudações.
O conselho municipal de saúde do Recife. está
analisando a proposta da Secretaria de Saúde de realizar um corte
de 85 AIH's ( Autorização de Internação Hospitalar)
de hospitais psiquiátricos. A idéia é uniformizar os
números de leitos e AIH's dos hospitais conveniados. Estou procurando
subsídios para a nossa discussão. Pensamos na necessidade
de "amarrar" essa discussão a um calendário de construção
de serviços extra-hospitalares, assim não será apenas
uma medida de corte de gastos. Agradeço qualquer orientação.
Petra
Petra.: V não me deu muitos dados, mas a principio sou contra
regulamentacões partindo de gabinetes. A internação
psiquiátrica vai ,aos poucos ,deixar se ser necessaria, na medida em
que os trabalhos extra hospitalares ( ambulatórios, pensões
protegidas, CAPS, etc) forem dando resultados. O que será feito com
as pessoas que não puderem ser internadas, após a diminuição
das AIHs? Que trabalho está sendo previsto para elas, para suas familias
e comunidades? O que pode acontecer, se não há previsão
para estas perguntas, é que, se uma pessoa que não for internada
por falta de AIH provocar algum distúrbio ou dano fisico em si mesmo
ou em outros, a proposta de diminuir leitos hospitalares sofre retrocesso.
Mas, não sei
porque na sua cidade se tomou esta decisao. As clínicas estão
muito ruins? O que ja foi tentado?
O que tenho feito e obtido bom resultado, como um inicio de trabalho, é
organizar a Emergencia Psiquiátrica nos Hospitais Gerais, porque
é de lá que partem internações desnecessárias.
Se este setor se organiza melhor, logo as internações diminuem
e sobram AIHs.
O Ministerio da Saude recomenda a organização de servicos
extra hospitalares como modo de reduzir as internações. Então,
v pode obter as normas do Ministerio para se basear.
Entenda a minha cautela como tática.
Qual a sua função ai? Mantenha contato.
Abraço Julio
A.: Mando em anexo um capitulo do meu livro, que trata, de certa forma,
da sexualidade. Mande seus comentários ou outra comunicação
que queira.
Abarco Julio
Data: Quarta-feira, 27 de Janeiro de 1999 19:20
Sr. Julio,
Recebi
o capitulo de seu livro sobre sexualidade, e achei muito interessante,
pois sua abordagem sobre o assunto é sutil e indireta, porém
nos exemplifica claramente o ponto de vista e idéia do assunto. Gostaria
de saber se em seu livro existe algum capítulo sobre Toxicômanos,
caso possa me enviar ficaria muito agradecida.
Abraços A.
A.: Agradeço seu comentário, acho que v percebeu muito bem
( "sutil e indireta..."). No meu livro não há nada a respeito
de toxicomania. Abraço
Julio
O., socióloga, atuando como técnica da secretaria de saúde de S., município do Pará
Estamos com o propósito de implantar o polo de saúde mental do município, e por isso desejo obter maiores informações quanto as diretrizes para saúde mental, ações realizadas e composição das equipes de profissionais.
Desde já agradeço qualquer tipo de auxílio.
O.: : Muito prazer em receber seu email. Primeiramente, gostaria
de saber quantos habitantes existem no município, quantos e
quais os profissionais de saúde mental disponíveis para o
trabalho, se existem leitos psiquiátricos no município ( se
não existem , aonde são), como é a emergência
psiquiátrica, quantas pessoas são internadas em psiquiatria
por mês. E também, quais são os principais problemas
na área de saúde mental daí. Existe programa de Saúde
de Família e de Agentes Comunitários de Saúde?
A equipe básica de saúde mental e composta de psicólogos,
psiquiatras, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfermeiros psiquiátricos,
musicoterapeutas, Visitadores Domiciliares. E pessoas para fornecer oficinas
terapêuticas. Mas não podemos pensar no ideal, e sim no que
existe. Com os dados que pedi, podemos voltar a conversar. As diretrizes
atuais do Ministério da Saúde, com as quais concordo bastante,
são no sentido de ampliar a rede ambulatorial e de cuidados intensivos
não-hospitalares, com a progressiva diminuição das internações
psiquiátricas. É preciso paciência para que as transformações
sejam todas muito bem aceitas pela população. É necessário
investimento em treinamento de pessoal, após o que os custos com o
sistema diminuem e a população é melhor atendida.
Abraço Julio
Oi Júlio, meu nome é L., sou psicóloga e trabalho em um ambulatório de saúde mental em S. MG. Gostaria de trocar informações sobre atenção a pacientes neuróticos dentro de Oficina Terapêutica, neste tipo de serviço.
OK L., vamos conversar. O que tenho visto de mais produtivo nesta área
são grupos de sensibilização corporal, sem muita exigência
de verbalização.
O que v pensa em fazer em oficinas terapêuticas para neuróticos?
Qual o tipo de clientela?
Abraço Julio
Oi, Júlio. Me perdoe a demora, mas é um pouco difícil ter oportunidade de entrar na Internet. Gostei de ter recebido sua mensagem. Foi minha estréia nessas ondas! Trabalho em um serviço de saúde mental, em S. MG. Atuo em atendimento ambulatorial e em oficina terapêutica (nesta, preferencialmente com psicóticos). Estou nesta cidade há mais ou menos dois anos. Desde que vim para cá, estou "meio" afastada do meio acadêmico. Antes de vir para cá, concluí dois cursos de especialização: um em Saúde Mental e outro em Psiquiatria Social, ambos no Rio de Janeiro. Atualmente, estou tendo algumas dificuldades em estruturar atividades dentro de meu serviço. Por ser um serviço público, pra ser um pouco original, faltam recursos materiais. Só que esta "desculpa" me incomoda, pois acredito que trabalhar com saúde mental é reciclar, resgatar aquele material humano que está à nossa frente com recursos que se encontram presentes no seu dia-a-dia. Minha maior dificuldade está em estimular a clientela masculina que acompanho na OT. Na maioria das vezes, são sujeitos cronificados, vindos de longas internações. Sua escolaridade é de nível bastante precário, poucos sabem ler. A economia da região se estrutura ao redor do artesanato, o que não parece interessa-los. Já com as mulheres, dá pra ser um pouco diferente. No final do ano, tive a oportunidade de montar um bazar dentro do serviço, com material produzido principalmente na oficina do pano de prato. Estudei dentro de um CAPS, no Rio, com uma realidade um pouco diferente, mas já encontrei o serviço pronto. Aqui, cheguei quando a Saúde Mental já existia há dois anos aproximadamente. Vim para ajudar a reestruturar a OT e organizar o projeto do CAPS da cidade. Atualmente, estou meio sem pique e sentindo falta de trocar "figurinhas" com pessoas da área. Eis o motivo da minha investida neste aparelho complicado. Bem, já "falei" de mais. Quem sabe a gente consegue marcar um horário pra bater-papo por estas linhas? Um abraço, L..
L.: Pois e, trabalho com psicóticos e assim mesmo, sempre em busca
do nosso animo para continuar. O que tenho visto por aqui, tb trabalho com
psicóticos em grupo, e que e muito bom utilizar técnicas de
sensibilização corporal, tudo no ritmo deles. Concordo com
v quando v diz que não precisamos de muito material, que a busca e
a partir do zero. V tem uma boa
experiência. Onde fez seus cursos? Na UERJ e Fiocruz? Onde
e o CAPS que v freqüentou no Rio? Quais as dificuldades que v esta
encontrando ai?
Tenho um canal, o #SaúdeMental, da Brasnet, mIRC. Se v quiser, podemos
nos falar online.
E, caso se interesse, te mando um trabalho meu sobre o grupo de psicóticos
que faço aqui.
Abraço Julio
M.: Os diagnósticos em psiquiatria são muito questionáveis
e tem a triste herança do modelo médico, que não se
adapta a sentimentos. Não concordo com a visão de que estes
problemas sejam "doenças". Dito isso, esclareço que, sob este
nome que v citou, está um problema em que a pessoa sente ansiedade
e, para alivia-la, tem o impulso de pensar coisas insistentemente ( obsessão
), ou praticar atos repetitivos ( compulsão ). Pode ir de uma coisa
leve ate tornar-se incapacitante. O tratamento é psicoterapia
e medicação, se necessário. Se tiver mais dúvidas,
escreva.
Abraço Julio
Júlio , primeiramente obrigado pela atenção, estou
curioso em saber mais sobre este assunto, pois tenho um caso na família.
A dúvida agora, é saber se pessoas que sofrem com esta obsessão
chegam a ter visões ou alucinações.
M.: Não, visões e alucinações não fazem parte deste diagnóstico. Aí é outra coisa. Julio
Júlio, que outra coisa poderia ser isto, a tal ponto que a pessoa comece e ver coisas que não existem ou Ter que entrar numa loja e comprar tudo o que achar interessante sem conseguir se controlar.
M.: Só se pode saber o que são estas coisas no dialogo pessoal
da pessoa que apresenta o problema com um profissional. Cada pessoa é
uma subjetividade muito particular e não há diagnósticos
definitivos, como na medicina. Esta pessoa que v cita deve procurar um profissional
da área ( psiquiatra com orientação psicodinâmica
ou psicólogo ). Julio
Prezados Senhores,
Gostaria de obter de V.Sas, informações sobre o tema: Introjeção
e Projeção.
Se tiver algum livro, ou outro tipo de pesquisa sobre este tema, ficarei
imensamente grata em obter.
Desde já agradeço e fico no aguardo de um retorno.
Cordialmente,
Ma.
Projeção e introjeção são termos criados
por Freud, para designar, tanto fases normais do desenvolvimento do psiquismo
quanto mecanismos de defesa "patológicos". Melanie Klein, da Escola
Inglesa, foi quem reforçou o uso destes termos, principalmente para
entender a psicose. A projeção e um mecanismo que supõe
fora o que esta dentro. Isto é, a pessoa vê no mundo uma característica
que é dela mesmo. Introjeção é o contrario:
supõe seu o que é de fora. Uma pessoa pode ouvir vozes vindas
das paredes, por exemplo, quando são conteúdos do seu interior
( projeção). E pode se achar dotada de algum dom, que de fato
não é dela, e sim de alguém outro ( introjeção
).
Em termos de autores, v pode ver mesmo é em Melanie Klein.
Abraço
Julio
E.:
V me pede esclarecimentos a respeito
de diagnósticos. Um, geral, psicose, outros dois específicos:
paranóia e PMD( psicose maníaco depressiva).
Para começar a te responder,
devo dizer que o papel do diagnóstico em psiquiatria é muito
controvertido. Não é a mesma coisa que na medicina, onde a um
diagnóstico corresponde uma etiologia e um tratamento. O uso do "modelo
médico" em psiquiatria leva a enganos lamentáveis, quais sejam,
os de supor que sabemos a origem, as causas dos problemas a que se dão
os diagnósticos. Não sabemos, e quem achar que sabe está
mal informado.
Para uma crítica ao uso do
diagnóstico na área mental, você pode consultar autores
como Foucault, Baságlia e Laing/Cooper.
Mas, já que existem, os diagnósticos
devem ser bem conhecidos.
O termo "paranóia" é
bem antigo, tendo surgido em 1818, com Heinroth. Os primeiros grandes psiquiatras
do passado percebiam que existiam pessoas que apresentavam delírios
e que não tinham degeneração da personalidade. Isto
é, fora a atividade delirante, mantinham-se sem outras alterações.
A estes davam o nome de "paranóicos".
Atualmente, este termo está
em desuso, passando o diagnóstico para "transtorno delirante".
Quando se fala em paranóia,
o que é mais freqüente é que estejamos nos referindo
a delírios de grandeza e/ou de perseguição.
Podemos relacionar,
seguindo Kaplan ( 1), sete circunstâncias que favorecem o desenvolvimento
de transtornos delirantes:
1- uma expectativa aumentada de receber tratamento sádico.
2- situações que aumentam a desconfiança e a
suspeito.
3- isolamento social.
4- situações que aumentam a inveja e o ciúme.
5- situações que fazem que uma pessoa veja seus próprios
defeitos em outras.
6- situações que aumentam o potencial para a ruminação
sobre possíveis significados e motivações.
Por esta lista, vemos a grande motivação psicológica
para os delírios, o que coloca em questão a arbitrariedade
de fixa-los e reduzi-los a um diagnostico médico.
O tratamento dos transtornos delirantes consta de medicação
e psicoterapia.
Quanto à
psicose maníaco depressiva, este também é um termo
antigo. As recentes classificações mudaram este diagnostico
para "transtorno do humor, tipo bipolar". O que é isso?
A observação
de pessoa com diagnostico de psicose, levou os estudiosos à conclusão
de que uma parte significativa deles tinha fases de euforia, agitação,
idéias de grandeza e grande atividade, alternadas com períodos
de depressão, lentidão e idéias negativas. Observaram
também que estas pessoas mantinham sua personalidade anterior nos
períodos entre as crises. Surgiu , então, o diagnóstico
de psicose maníaco depressiva. Esta psicose tem um componente familiar
observável e, em muitas experiências clínicas, incluindo
a minha, as pessoas com este diagnóstico apresentam conflitos de culpa
e dependência.
Livro consultado: "Compêndio de Psiquiatria" de Kaplan e Sadock, 1993, Ed. Artes Médicas.
Quanto ao termo "psicose", sugiro consultar a minha outra Home page, específica
para tratamento das psicoses: www.lagosnet.com.br/clientes/juces/
Prezados amigos,
Atualmente encontro-me em fase inicial de aprendizado da psicanálise
junto ao Instituto Freudiano de Psicanálise, aqui em Salvador. Como
parte dessa formação, todos os alunos devem apresentar um trabalho
sobre um tema de sua escolha, onde sejam abordados os assunto discutidos
durante o período. Devido à minha formação,
optei por discutir sobre o impacto da internet no comportamento social.
Entretanto, devido à novidade do tema, não tenho encontrado
facilidade em elaborar um roteiro para o referido trabalho, razão
pela qual recorro aos senhores no sentido de me auxiliarem indicando
fontes ou artigos que tenham identificação com o assunto.
Agradeço antecipadamente a atenção,
A. D.
Salvador - BA
Ângelo: V escolheu um tema muito interessante. Mas, v terá que especificar mais o que quer dizer com "comportamento social". Não tenho visto muitos livros sobre o tema, é tudo muito novo. Mas em Gilles Deleuze v pode encontrar fonte para refletir. Pierre Lévy tem dois livros importantes sobre o tema: "O que é o Virtual", e "As Tecnologias da Inteligência", ambos da Editora 34. Também Bill Gates e Nicholas Negroponte escrevem coisas sobre o tema. Qual a sua formação? Tenho pensado e discutido muito sobre este tema do seu trabalho, podemos conversar. Abraço Julio